Celular com aplicativos abertos em primeiro plano. Foto: Marcello Casar Jr./Agência Brasil
Celular com aplicativos abertos em primeiro plano. Foto: Marcello Casar Jr./Agência Brasil

Ainda com municípios sem conexão de alta velocidade, Acre vê chegada do 5G com otimismo

Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia do estado espera que nova geração de internet móvel ajude a conectar os moradores das regiões remotas

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Dois municípios do Acre não possuem cobertura 4G de internet, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Apesar de oito operadoras prestarem o serviço no estado, nenhum morador de Assis Brasil e Manoel Urbano tem acesso à tecnologia. As outras 20 cidades do Acre possuem cobertura 4G, mas em oito delas o acesso está restrito a menos da metade da população. 

Enquanto o Distrito Federal e estados como São Paulo e Rio de Janeiro conseguiram quase que universalizar o acesso à internet, e veem na chegada do 5G a oportunidade de potencializar a chamada Internet das Coisas e os setores produtivos, como a indústria e o agronegócio, o Acre vê na implementação da tecnologia uma chance de garantir, ao menos, conexão de alta velocidade para os habitantes locais. 

Segundo Adriano Sales Santos, diretor de Tecnologia da Informação da Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (SEICT), não há, de fato, alcance efetivo de 4G em todas as regiões do estado. Além disso, a dificuldade de acesso a alguns municípios, em que só é possível chegar de barco ou avião, dificultou a implementação de infraestrutura de banda larga por fibra óptica. 

A chegada do 5G, no entanto, pode representar uma solução para o problema, graças às características da tecnologia. “O 5G, pela sua capacidade wireless e alta velocidade, vai conseguir atender a essas regiões de difícil acesso a partir de uma conexão de qualidade e dentro do que se espera para internet. Acreditamos que a gente vai conseguir com o 5G colocar áreas distantes do estado realmente no século 21”. 

Leilão do 5G começou nesta quinta-feira (4) e deve arrecadar R$ 49,7 bi em investimentos

Chegada do 5G vai impulsionar a chamada Internet das Coisas, dizem especialistas

De acordo com a Anatel, o prazo para que os municípios com menos de 30 mil habitantes, caso de 17 dos 22 municípios do Acre, recebam a cobertura 5G vai até 31 de dezembro de 2029. 

Até lá, no entanto, o edital do leilão 5G prevê que a empresa que arrematar a faixa de 700 MHz terá que levar internet para as localidades sem 4G. Quem levar a faixa de 2,3 MHz também é obrigado a cobrir 95% da área urbana dos municípios sem 4G. 

Na prática, as operadoras de telecomunicação que ganharam o certame têm o compromisso de levar o 4G para todas as localidades com mais de 600 habitantes. “A gente traz uma melhora em toda a infraestrutura de comunicação para o estado”, diz Adriano. 

Segundo o diretor da SEICT, o setor produtivo também vai se beneficiar com o avanço tecnológico. “O próprio agronegócio no estado do Acre tem o uso muito limitado da agricultura de precisão, porque para a agricultura de precisão eu preciso de conectividade e de comunicação. Eu não consigo ter isso em diversas regiões do estado, então a implementação forte na agricultura de precisão pode aumentar muito a produtividade das áreas do estado”, destaca. 

A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB/AC), presidente da subcomissão da Câmara dos Deputados que acompanha a implantação da tecnologia 5G no Brasil, ressalta a revolução que a chegada do 5G pode trazer ao país. 

“O 5G é fundamental, porque ele vai permitir a Internet das coisas. Com o 5G vai ser permitido, por exemplo, o funcionamento de carros autônomos no Brasil. O 5G vai possibilitar cirurgias à distância. Da mesma forma, uma máquina que está no campo em uma grande plantação no Nordeste brasileiro, por exemplo, poderá ser manuseada ou operada por um trabalhador que vai estar no Norte do Brasil. Isso tudo vai ser possível com essa nova tecnologia virtual, que com certeza vai aumentar a produtividade na indústria brasileira e no agronegócio”, exemplifica. 

Foto: Arquivo/EBC

Sebrae

As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde

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Ainda que com a necessidade de tomar cuidados essenciais para evitar novos picos de contágio pela Covid-19, aos poucos, o Brasil começa a retomar as atividades econômicas. Até o momento, de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae, cerca de 83% dos empreendimentos de pequeno porte no país já voltaram a funcionar. Além disso, segundo os últimos dados apresentados pelo IBGE, os serviços apresentaram crescimento de 2,6% em julho. Foi o segundo mês consecutivo de alta no setor.

Diante desse apontamento para reabertura de empresas e, consequentemente, o aumento de circulação de pessoas que saem para consumir, o próprio Sebrae se preocupou em orientar donos de pequenas empresas para uma retomada segura das atividades. Inicialmente, as informações foram fornecidas por meio de releases, por exemplo. A novidade é a disponibilidade das orientações em formato de infográficos.

A ideia é que os empreendedores possam imprimir esses materiais e utilizar no trabalho de instrução de seus funcionários, bem como afixá-los nos seus estabelecimentos. O conteúdo completo é uma série de 35 ilustrações educativas, detalhadas, com orientações para os donos dos estabelecimentos de diversos segmentos, como por exemplo, restaurantes, bares, academias, agências de turismo, entre outras.

Segundo o analista da Unidade de Competitividade do Sebrae, Rafael Moreira, nesse processo de reabertura dos negócios, as atenções se voltam aos protocolos de saúde e higiene, que também estão entre as principais preocupações dos empresários.

“A gente percebe que a situação deve seguir melhorando, dando alívio para o pequeno empresário. Então, é muito importante seguir os protocolos para reduzir o risco de contágio da Covid-19. Eles também devem pedir para seus funcionários e clientes respeitem as recomendações sanitárias. Quem passar mais segurança para o consumidor tende a se sair melhor”, avalia Rafael Moreira.

Instruções de segurança

Os documentos estão disponíveis para download na página do Sebrae, na internet. As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde.

Desburocratização para micro e pequenos negócios pode dar fôlego à economia no pós-pandemia

“A micro e pequena empresa é a teia que sustenta qualquer país”, afirma presidente do Sebrae

Candidatos às eleições municipais têm desafio de fomentar pequenos negócios e retomar economia

Para o advogado Rodrigo Figueiredo, que também é proprietário do Start Bar & Music, localizado em Brasília, esta iniciativa do Sebrae é importante neste momento, principalmente para os empresários que desejam reabrir seus negócios, mas não sabem muito bem que providências sanitárias tomar.

“Eu vejo que essa atitude tomada pelo Sebrae foi, de maneira geral, muito positiva, porque corta um caminho para o empresário que, às vezes, está perdido em relação a como se posicionar dentro da sua própria empresa para proporcionar segurança para os empregados e clientes, além de já entregar todo o procedimento que precisa ser adotado pelo empreendedor no estabelecimento”, opina.

Na avaliação do presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, os protocolos de retomada têm sido muito utilizados no processo de orientação para que as empresas consigam receber novamente os clientes e oferecer os produtos e serviços de forma presencial. “Os documentos são muito relevantes para que o empresário, juntamente com seus colaboradores, fornecedores e clientes consigam, de fato, superar esta fase”, destaca.  
 

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Professora de português e produção de texto, a moradora de Anápolis – GO, Ana Itagiba, de 23 anos, resolveu dar início, este ano, ao processo para se tornar uma micro empreendedora individual (MEI). É em busca de melhores condições como profissional e na esperança de ter mais oportunidades de trabalho que ela espera, com a renovação das cadeiras das prefeituras e até com a reeleição de alguns prefeitos, que os gestores municipais valorizem mais os MEI’s e os empreendimentos de pequeno porte.

“Toda vez que formos votar, temos que observar o histórico da pessoa em que estamos votando. Os eleitores devem procurar candidatos que estejam preocupados em garantir mais direitos para essa população. As pequenas empresas são importantes para a economia dos municípios, inclusive, porque essa tem sido a tendência de transformação econômica”, opina a professora.

Para atender aos anseios de pessoas como Ana Itagiba e dos micro e pequenos empreendedores do o País, o Sebrae lançou o chamado “Guia do Candidato Empreendedor”. O documento disponibiliza dicas que orientam os gestores públicos municipais na realização de iniciativas que promovam a evolução das pequenas empresas, sobretudo acerca do desenvolvimento sustentável.

Intitulado “Seja um candidato Empreendedor - 10 dicas do Sebrae”, o guia visa apoiar o empreendedorismo. Para isso, o intuito é revelar os potenciais, as belezas e riquezas do País a partir dos municípios, gerar renda, emprego e ainda elevar a arrecadação sem aumentar impostos. Em uma das dicas, os gestores são instruídos a promover inovação e sustentabilidade.

A partir desse ponto, busca-se, por exemplo, garantir internet de qualidade nas escolas, prédios públicos e praças; estimular os empreendedores locais na adoção de fontes de energia sustentável e reciclagem de resíduos, e fomentar a implantação do Código Florestal, a preservação de mananciais e do meio ambiente no meio rural e urbano.

Acesso a créditos e digitalização

Nesse sentido, outro destaque desenvolvido pela instituição é o Guia do Prefeito, que apresenta uma ferramenta importante de trabalho para as lideranças comprometidas com o desenvolvimento sustentável nos seus municípios. Um dos pontos mais relevantes deste compilado de instruções propõe, inclusive, facilitar o acesso ao crédito e aos serviços financeiros.

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Segundo o presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, este último item é indispensável para que os pequenos empreendimentos consigam sobreviver durante crises como a que o Brasil enfrenta atualmente. Além disso, Melles também destaca a importância da informatização dos negócios.

“Nós estamos colocando a essência da educação empreendedora à disposição dos brasileiros. Sobretudo, dizemos o seguinte: retomem, mas retomem digital. Nós estamos firmando parcerias com grandes plataformas de marketplace, dando à micro e pequena empresa a possibilidade de abrir novos canais de comercialização, inclusive de garantias de financiamento”, afirma Carlos Melles.

De acordo com a pesquisa “Transformação Digital nas MPE”, realizada pelo Sebrae entre abril e junho deste ano, nos últimos três anos os pequenos negócios no Brasil apostaram na informatização e na utilização de novas ferramentas digitais, em especial nas redes sociais.

Atualmente, 72% do segmento utiliza o WhatsApp para se comunicar com clientes e 40% possui perfil no Facebook. Em Santa Catarina, por exemplo, 89% dos empresários ouvidos no levantamento afirmaram acessar a internet frequentemente. Além disso, 35% dos empresários catarinenses disseram que suas empresas possuem página na internet.

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