Foto: José Paulo Lacerda/CNI
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Queda da inflação e pautas econômicas no Congresso aumentam otimismo da indústria

Novo arcabouço fiscal e reforma tributária devem contribuir para o crescimento do setor industrial, aponta economista da FGV

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) alterou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,4% para 2,2% em 2023. A mudança é resultado do desempenho da economia brasileira no primeiro semestre do ano. Nos três primeiros meses, PIB avançou 1,9%, reflexo do desempenho agropecuário. De acordo com o economista e coordenador acadêmico da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Mauro Rochilin, três fatores são responsáveis pelo otimismo do setor industrial.

“O primeiro deles é a queda da inflação. Essa queda ajuda a recuperação do poder aquisitivo da população e, portanto, acaba por ter óbvios efeitos sobre o consumo. E claro que havendo melhora no consumo, isso vai produzir reflexos na indústria. O segundo fator diz respeito ao novo arcabouço fiscal, que traz uma maior segurança no que se refere à política fiscal e à política de gastos do governo. Ele projeta uma política mais responsável e, com isso, sugere uma menor aversão ao risco. O resultado de uma menor aversão ao risco, naturalmente, é um incentivo ao investimento”, explica. 

O economista aponta ainda a reforma tributária como elemento que, além de recuperar a confiança, deve contribuir também para o crescimento da indústria.  A PEC 45/2019 foi aprovada na última sexta-feira (7), na Câmara dos Deputados. Nesta terça-feira (11), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), anunciou que o senador Eduardo Braga (MDB-AM) será o relator da proposta na Casa. 

“No que se refere à retomada da indústria especificamente, a possibilidade da indústria voltar a crescer no país, acredito que a desoneração tributária pode ajudar. E, nesse sentido, a reforma tributária desempenha um papel importante, na medida em que houver uma menor taxação, uma menor tributação sobre a produção e uma maior tributação sobre a renda, isso pode se traduzir em menores custos e, consequentemente, em maior competitividade da indústria”, argumenta Mauro Rochilin. 

A redação que começa a ser analisada pelos senadores após o recesso parlamentar unifica os cinco principais impostos sobre o consumo de bens e serviços no novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual. De um lado, IPI, PIS e Cofins, da União, dão origem à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Do outro, ICMS (estadual) e ISS (municipal) formam o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A alíquota do IVA, ou seja, o percentual de imposto que incidirá sobre os produtos e serviços, ainda será definida por lei complementar. Os cálculos iniciais de economistas apontam para algo em torno de 25%. 

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Inflação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta terça-feira (11), mostra queda de 0,08% e registra a primeira deflação de 2023 em junho. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela pesquisa, os grupos "Alimentação e Bebidas" — influenciados, principalmente, pelo recuo nos preços da alimentação no domicílio — e "Transportes" — resultado do recuo nos preços de automóveis novos e usados e queda dos combustíveis. 

Para o deputado federal Júlio Lopes (PP–RJ), membro da Frente Parlamentar Brasil Competitivo, a melhoria nos principais indicadores reflete o aumento da confiança não apenas do setor industrial. 

“A gente tem aí, nesse passado próximo dos últimos três meses, uma queda muito substancial do dólar, uma queda substancial da inflação. Tem também a melhora na expectativa do PIB para o crescimento de 1.5% para 2,2%, 2,3%, que já é bem melhor. Então, há um conjunto de melhorias significativas nos principais indicadores do mercado e, obviamente, a comunidade industrial também entra nesse contexto”, ressalta o parlamentar. 

Confiança da Indústria

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) mostra que 17 dos 29 setores da indústria estão confiantes. Segundo a pesquisa, houve uma transição da falta de confiança para a confiança em junho. O resultado quebra uma sequência de três meses de falta de confiança na indústria, que aconteceu entre março e maio de 2023, de acordo com a pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

Também houve avanço em todos os componentes do ICEI. A pesquisa mostra que o Índice de Condições atuais avançou 1,1 ponto, para 44,2 pontos. Apesar da alta, o índice segue abaixo da linha divisória dos 50 pontos, que separa pessimismo de otimismo. Já o Índice de Expectativas subiu 1,3 ponto, para 53,5 pontos — o que indica otimismo da indústria para o segundo semestre de 2023. 
 

Foto: Arquivo/EBC

Sebrae

As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde

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Ainda que com a necessidade de tomar cuidados essenciais para evitar novos picos de contágio pela Covid-19, aos poucos, o Brasil começa a retomar as atividades econômicas. Até o momento, de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae, cerca de 83% dos empreendimentos de pequeno porte no país já voltaram a funcionar. Além disso, segundo os últimos dados apresentados pelo IBGE, os serviços apresentaram crescimento de 2,6% em julho. Foi o segundo mês consecutivo de alta no setor.

Diante desse apontamento para reabertura de empresas e, consequentemente, o aumento de circulação de pessoas que saem para consumir, o próprio Sebrae se preocupou em orientar donos de pequenas empresas para uma retomada segura das atividades. Inicialmente, as informações foram fornecidas por meio de releases, por exemplo. A novidade é a disponibilidade das orientações em formato de infográficos.

A ideia é que os empreendedores possam imprimir esses materiais e utilizar no trabalho de instrução de seus funcionários, bem como afixá-los nos seus estabelecimentos. O conteúdo completo é uma série de 35 ilustrações educativas, detalhadas, com orientações para os donos dos estabelecimentos de diversos segmentos, como por exemplo, restaurantes, bares, academias, agências de turismo, entre outras.

Segundo o analista da Unidade de Competitividade do Sebrae, Rafael Moreira, nesse processo de reabertura dos negócios, as atenções se voltam aos protocolos de saúde e higiene, que também estão entre as principais preocupações dos empresários.

“A gente percebe que a situação deve seguir melhorando, dando alívio para o pequeno empresário. Então, é muito importante seguir os protocolos para reduzir o risco de contágio da Covid-19. Eles também devem pedir para seus funcionários e clientes respeitem as recomendações sanitárias. Quem passar mais segurança para o consumidor tende a se sair melhor”, avalia Rafael Moreira.

Instruções de segurança

Os documentos estão disponíveis para download na página do Sebrae, na internet. As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde.

Desburocratização para micro e pequenos negócios pode dar fôlego à economia no pós-pandemia

“A micro e pequena empresa é a teia que sustenta qualquer país”, afirma presidente do Sebrae

Candidatos às eleições municipais têm desafio de fomentar pequenos negócios e retomar economia

Para o advogado Rodrigo Figueiredo, que também é proprietário do Start Bar & Music, localizado em Brasília, esta iniciativa do Sebrae é importante neste momento, principalmente para os empresários que desejam reabrir seus negócios, mas não sabem muito bem que providências sanitárias tomar.

“Eu vejo que essa atitude tomada pelo Sebrae foi, de maneira geral, muito positiva, porque corta um caminho para o empresário que, às vezes, está perdido em relação a como se posicionar dentro da sua própria empresa para proporcionar segurança para os empregados e clientes, além de já entregar todo o procedimento que precisa ser adotado pelo empreendedor no estabelecimento”, opina.

Na avaliação do presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, os protocolos de retomada têm sido muito utilizados no processo de orientação para que as empresas consigam receber novamente os clientes e oferecer os produtos e serviços de forma presencial. “Os documentos são muito relevantes para que o empresário, juntamente com seus colaboradores, fornecedores e clientes consigam, de fato, superar esta fase”, destaca.  
 

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Professora de português e produção de texto, a moradora de Anápolis – GO, Ana Itagiba, de 23 anos, resolveu dar início, este ano, ao processo para se tornar uma micro empreendedora individual (MEI). É em busca de melhores condições como profissional e na esperança de ter mais oportunidades de trabalho que ela espera, com a renovação das cadeiras das prefeituras e até com a reeleição de alguns prefeitos, que os gestores municipais valorizem mais os MEI’s e os empreendimentos de pequeno porte.

“Toda vez que formos votar, temos que observar o histórico da pessoa em que estamos votando. Os eleitores devem procurar candidatos que estejam preocupados em garantir mais direitos para essa população. As pequenas empresas são importantes para a economia dos municípios, inclusive, porque essa tem sido a tendência de transformação econômica”, opina a professora.

Para atender aos anseios de pessoas como Ana Itagiba e dos micro e pequenos empreendedores do o País, o Sebrae lançou o chamado “Guia do Candidato Empreendedor”. O documento disponibiliza dicas que orientam os gestores públicos municipais na realização de iniciativas que promovam a evolução das pequenas empresas, sobretudo acerca do desenvolvimento sustentável.

Intitulado “Seja um candidato Empreendedor - 10 dicas do Sebrae”, o guia visa apoiar o empreendedorismo. Para isso, o intuito é revelar os potenciais, as belezas e riquezas do País a partir dos municípios, gerar renda, emprego e ainda elevar a arrecadação sem aumentar impostos. Em uma das dicas, os gestores são instruídos a promover inovação e sustentabilidade.

A partir desse ponto, busca-se, por exemplo, garantir internet de qualidade nas escolas, prédios públicos e praças; estimular os empreendedores locais na adoção de fontes de energia sustentável e reciclagem de resíduos, e fomentar a implantação do Código Florestal, a preservação de mananciais e do meio ambiente no meio rural e urbano.

Acesso a créditos e digitalização

Nesse sentido, outro destaque desenvolvido pela instituição é o Guia do Prefeito, que apresenta uma ferramenta importante de trabalho para as lideranças comprometidas com o desenvolvimento sustentável nos seus municípios. Um dos pontos mais relevantes deste compilado de instruções propõe, inclusive, facilitar o acesso ao crédito e aos serviços financeiros.

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Segundo o presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, este último item é indispensável para que os pequenos empreendimentos consigam sobreviver durante crises como a que o Brasil enfrenta atualmente. Além disso, Melles também destaca a importância da informatização dos negócios.

“Nós estamos colocando a essência da educação empreendedora à disposição dos brasileiros. Sobretudo, dizemos o seguinte: retomem, mas retomem digital. Nós estamos firmando parcerias com grandes plataformas de marketplace, dando à micro e pequena empresa a possibilidade de abrir novos canais de comercialização, inclusive de garantias de financiamento”, afirma Carlos Melles.

De acordo com a pesquisa “Transformação Digital nas MPE”, realizada pelo Sebrae entre abril e junho deste ano, nos últimos três anos os pequenos negócios no Brasil apostaram na informatização e na utilização de novas ferramentas digitais, em especial nas redes sociais.

Atualmente, 72% do segmento utiliza o WhatsApp para se comunicar com clientes e 40% possui perfil no Facebook. Em Santa Catarina, por exemplo, 89% dos empresários ouvidos no levantamento afirmaram acessar a internet frequentemente. Além disso, 35% dos empresários catarinenses disseram que suas empresas possuem página na internet.

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