Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Brasil sobe uma posição em ranking de competitividade depois de 12 anos

Ainda assim, país é o antepenúltimo colocado em estudo com 18 países. Financiamento do setor produtivo e sistema tributário continuam como maiores gargalos

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Depois de 12 anos, o Brasil voltou a subir no ranking Competitividade Brasil. O país ultrapassou o Peru e, agora, é o 16º colocado entre 18 países. O ranking é produzido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) desde 2010 e tem como objetivo examinar o potencial competitivo das empresas brasileiras frente ao setor empresarial de outros 17 países com características semelhantes ao Brasil ou que competem com ele no mercado internacional. 

Fazem parte do levantamento África do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Índia, Indonésia, México, Peru, Polônia, Rússia, Tailândia e Turquia. A posição do país no ranking é consequência de como cada nação performa na soma de nove fatores de competitividade analisados.

A sensível escalada do Brasil no estudo se deve à melhoria nos fatores financiamento, ambiente de negócios e tributação. Além disso, o país contou com o maior impacto que a pandemia da Covid-19 teve sobre algumas nações, como o Peru. 

Apesar de ganhar uma posição, o país continua entre os três últimos colocados do ranking. Além do Peru, só a Argentina está atrás do Brasil. A gerente de Política Industrial da CNI, Samantha Cunha,  explica que o relatório Competitividade Brasil é uma ferramenta que ajuda o governo e as empresas a entenderem quais áreas são mais críticas e quais priorizar para melhorar a competitividade das empresas nacionais no cenário global. 

“Ele mostra em quais áreas a competitividade do Brasil está ameaçada, quais áreas faltam competitividade, quais áreas ele está recuperando a sua competitividade e, nesse sentido, ele é um instrumento para priorização de medidas para recuperação da competitividade”, afirma. 

Confira abaixo um resumo sobre o desempenho do Brasil em cada um dos nove fatores. 

Mão de obra

As medidas adotadas para o combate à pandemia afetaram o mercado de trabalho brasileiro. Tanto a disponibilidade quanto a oferta de mão de obra caíram no período como consequência das restrições de funcionamento das empresas, queda no consumo e, também, da produção, além do distanciamento social, que potencializou o pagamento do auxílio emergencial. O Brasil é o 15º colocado nesse fator, à frente apenas da Espanha, do Chile e da Índia. A Indonésia lidera o índice. 

Financiamento

O Brasil é o pior país quando o assunto é financiamento. Ocupa a lanterna do ranking nesse quesito. Embora se posicione no terço intermediário em duas das três dimensões avaliadas -- disponibilidade de capital e desempenho do sistema financeiro --, as empresas brasileiras sofrem com o custo do capital, que é bastante superior ao dos concorrentes. 

Mesmo com a redução da taxa de juros ao seu menor nível em 20 anos, o spread da taxa de juros se manteve em patamar elevado (26,8%). O spread é a diferença entre os juros que as instituições financeiras cobram para quem deseja um financiamento ou empréstimo e os juros que elas pagam aos investidores, ou seja, quem lhes empresta dinheiro. O Brasil também tem a maior taxa de juros real de curto prazo. 

Infraestrutura e logística

Em todos os modais de transporte – rodovias, ferrovias, portos e aeroportos --, o Brasil está nos últimos lugares. Neste fator, o país é o 15º colocado entre 18 nações. Segundo a CNI, o fraco desempenho do país é consequência tanto de sondagem de opinião empresarial, ou seja, com base na avaliação de quem usa os serviços, quanto de dados quantitativos. 

O fator é composto por quatro subfatores, sendo eles infraestrutura de transporte, infraestrutura de energia, infraestrutura de telecomunicações e logística internacional. O subfator de infraestrutura de telecomunicações é o único em que o Brasil aparece no terço intermediário, ou seja, entre os 7º e 12º colocados. 

Tributação

O peso dos tributos e a qualidade do sistema tributário fazem o Brasil ocupar a penúltima posição no fator tributação. Segundo o estudo, a carga tributária representou 32,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019. Apenas Polônia (35,1%), Espanha (34,7%) e Canadá (33,8%) foram mais onerosos para o setor produtivo. 

A complexidade da estrutura tributária do nosso sistema também pesa negativamente. Em uma escala de 0 a 1, os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) possuem, em média, um índice de complexidade de 0,25, contra 0,44 do Brasil. 

Ambiente macroeconômico

Apenas Turquia e Argentina estão piores do que o Brasil quando o assunto é ambiente macroeconômico. Esse resultado é consequência, principalmente, da falta de equilíbrio fiscal, segundo a CNI. Em 2021, a inflação no país chegou a 8,3%, a segunda maior em pontos percentuais. Já a dívida bruta em relação ao PIB representou 93%, atrás apenas de Espanha e Canadá. 

Os efeitos econômicos da pandemia foram apontados pelo estudo como as principais causas desse problema. Hoje, a dívida pública bruta em relação ao PIB já está próxima dos 77% e a inflação acumulada nos últimos 12 meses está em 5,9%. Um outro subfator que pesou para o desempenho ruim do país neste quesito foi o equilíbrio externo. O déficit em transações correntes foi de 1,7% do PIB em 2021. 

Estrutura produtiva, escala e concorrência

Quando se analisa a estrutura produtiva, escala e concorrência, o Brasil está na zona intermediária, em 13º lugar. Contribui muito para esse melhor desempenho em relação aos outros fatores mencionados acima o tamanho do mercado doméstico, o 5º maior, atrás apenas do chinês, indiano, russo e indonésio. 

A estrutura produtiva do Brasil, expressa na capacidade de produzir maior diversidade de bens, incluindo produtos complexos, é a 11ª entre os 18 países. Por outro lado, no subfator concorrência, o país tem a maior barreira tarifária em produtos não agrícolas, o que desestimula o aumento da produtividade por meio da concorrência no mercado interno. 

Ambiente de negócios 

De acordo com o levantamento, a falta de segurança jurídica e o excesso de burocracia tornam o ambiente para se fazer negócios no Brasil um dos três piores do ranking. No subfator segurança jurídica, são avaliados aspectos regulatórios que impactam o setor privado, a partir de percepções sobre a garantia e o cumprimento das normas jurídicas; a facilidade para questionar ações e regulamentações do governo por meio das vias legais e a resolução de disputas judiciais entre empresas. 

Educação

O segundo melhor desempenho do Brasil foi no fator educação. O país está no terço intermediário, ocupando a 10ª posição entre 17 países -- a China não foi avaliada neste quesito. Mesmo sendo a nação que mais gasta com educação proporcionalmente ao PIB, o país está no terço inferior do ranking quando são analisadas a disseminação e a qualidade da educação. 

Em relação à edição anterior do estudo, o Brasil melhorou na disseminação da educação porque melhorou seus indicadores de número de matrículas, tanto no ensino médio quanto no superior. Isso foi insuficiente para o país subir de posição no fator. 

Tecnologia e Inovação

Neste fator, o Brasil teve seu melhor desempenho. Foi o 9º colocado entre 18 países. Mesmo assim, o país caiu uma posição em relação ao ranking de 2019-2020. 

Quando considerados os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D)  do poder público e da iniciativa privada somados, o país foi ainda melhor: o 7º mais bem posicionado. Já no subfator que mede as despesas das empresas com P&D, ficou na 11º colocação. 

O Brasil também ficou na posição intermediária quando analisado o número de pedidos internacionais de patentes e as exportações de alta-tecnologia. 

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Foto: Arquivo/EBC

Sebrae

As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde

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Ainda que com a necessidade de tomar cuidados essenciais para evitar novos picos de contágio pela Covid-19, aos poucos, o Brasil começa a retomar as atividades econômicas. Até o momento, de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae, cerca de 83% dos empreendimentos de pequeno porte no país já voltaram a funcionar. Além disso, segundo os últimos dados apresentados pelo IBGE, os serviços apresentaram crescimento de 2,6% em julho. Foi o segundo mês consecutivo de alta no setor.

Diante desse apontamento para reabertura de empresas e, consequentemente, o aumento de circulação de pessoas que saem para consumir, o próprio Sebrae se preocupou em orientar donos de pequenas empresas para uma retomada segura das atividades. Inicialmente, as informações foram fornecidas por meio de releases, por exemplo. A novidade é a disponibilidade das orientações em formato de infográficos.

A ideia é que os empreendedores possam imprimir esses materiais e utilizar no trabalho de instrução de seus funcionários, bem como afixá-los nos seus estabelecimentos. O conteúdo completo é uma série de 35 ilustrações educativas, detalhadas, com orientações para os donos dos estabelecimentos de diversos segmentos, como por exemplo, restaurantes, bares, academias, agências de turismo, entre outras.

Segundo o analista da Unidade de Competitividade do Sebrae, Rafael Moreira, nesse processo de reabertura dos negócios, as atenções se voltam aos protocolos de saúde e higiene, que também estão entre as principais preocupações dos empresários.

“A gente percebe que a situação deve seguir melhorando, dando alívio para o pequeno empresário. Então, é muito importante seguir os protocolos para reduzir o risco de contágio da Covid-19. Eles também devem pedir para seus funcionários e clientes respeitem as recomendações sanitárias. Quem passar mais segurança para o consumidor tende a se sair melhor”, avalia Rafael Moreira.

Instruções de segurança

Os documentos estão disponíveis para download na página do Sebrae, na internet. As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde.

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Para o advogado Rodrigo Figueiredo, que também é proprietário do Start Bar & Music, localizado em Brasília, esta iniciativa do Sebrae é importante neste momento, principalmente para os empresários que desejam reabrir seus negócios, mas não sabem muito bem que providências sanitárias tomar.

“Eu vejo que essa atitude tomada pelo Sebrae foi, de maneira geral, muito positiva, porque corta um caminho para o empresário que, às vezes, está perdido em relação a como se posicionar dentro da sua própria empresa para proporcionar segurança para os empregados e clientes, além de já entregar todo o procedimento que precisa ser adotado pelo empreendedor no estabelecimento”, opina.

Na avaliação do presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, os protocolos de retomada têm sido muito utilizados no processo de orientação para que as empresas consigam receber novamente os clientes e oferecer os produtos e serviços de forma presencial. “Os documentos são muito relevantes para que o empresário, juntamente com seus colaboradores, fornecedores e clientes consigam, de fato, superar esta fase”, destaca.  
 

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Professora de português e produção de texto, a moradora de Anápolis – GO, Ana Itagiba, de 23 anos, resolveu dar início, este ano, ao processo para se tornar uma micro empreendedora individual (MEI). É em busca de melhores condições como profissional e na esperança de ter mais oportunidades de trabalho que ela espera, com a renovação das cadeiras das prefeituras e até com a reeleição de alguns prefeitos, que os gestores municipais valorizem mais os MEI’s e os empreendimentos de pequeno porte.

“Toda vez que formos votar, temos que observar o histórico da pessoa em que estamos votando. Os eleitores devem procurar candidatos que estejam preocupados em garantir mais direitos para essa população. As pequenas empresas são importantes para a economia dos municípios, inclusive, porque essa tem sido a tendência de transformação econômica”, opina a professora.

Para atender aos anseios de pessoas como Ana Itagiba e dos micro e pequenos empreendedores do o País, o Sebrae lançou o chamado “Guia do Candidato Empreendedor”. O documento disponibiliza dicas que orientam os gestores públicos municipais na realização de iniciativas que promovam a evolução das pequenas empresas, sobretudo acerca do desenvolvimento sustentável.

Intitulado “Seja um candidato Empreendedor - 10 dicas do Sebrae”, o guia visa apoiar o empreendedorismo. Para isso, o intuito é revelar os potenciais, as belezas e riquezas do País a partir dos municípios, gerar renda, emprego e ainda elevar a arrecadação sem aumentar impostos. Em uma das dicas, os gestores são instruídos a promover inovação e sustentabilidade.

A partir desse ponto, busca-se, por exemplo, garantir internet de qualidade nas escolas, prédios públicos e praças; estimular os empreendedores locais na adoção de fontes de energia sustentável e reciclagem de resíduos, e fomentar a implantação do Código Florestal, a preservação de mananciais e do meio ambiente no meio rural e urbano.

Acesso a créditos e digitalização

Nesse sentido, outro destaque desenvolvido pela instituição é o Guia do Prefeito, que apresenta uma ferramenta importante de trabalho para as lideranças comprometidas com o desenvolvimento sustentável nos seus municípios. Um dos pontos mais relevantes deste compilado de instruções propõe, inclusive, facilitar o acesso ao crédito e aos serviços financeiros.

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Segundo o presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, este último item é indispensável para que os pequenos empreendimentos consigam sobreviver durante crises como a que o Brasil enfrenta atualmente. Além disso, Melles também destaca a importância da informatização dos negócios.

“Nós estamos colocando a essência da educação empreendedora à disposição dos brasileiros. Sobretudo, dizemos o seguinte: retomem, mas retomem digital. Nós estamos firmando parcerias com grandes plataformas de marketplace, dando à micro e pequena empresa a possibilidade de abrir novos canais de comercialização, inclusive de garantias de financiamento”, afirma Carlos Melles.

De acordo com a pesquisa “Transformação Digital nas MPE”, realizada pelo Sebrae entre abril e junho deste ano, nos últimos três anos os pequenos negócios no Brasil apostaram na informatização e na utilização de novas ferramentas digitais, em especial nas redes sociais.

Atualmente, 72% do segmento utiliza o WhatsApp para se comunicar com clientes e 40% possui perfil no Facebook. Em Santa Catarina, por exemplo, 89% dos empresários ouvidos no levantamento afirmaram acessar a internet frequentemente. Além disso, 35% dos empresários catarinenses disseram que suas empresas possuem página na internet.

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