Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Brics: ampliação deve ser principal pauta de discussão na cúpula do bloco

Rússia e China querem expansão mais ampla para aumentar campo de influência, enquanto o Brasil defende entrada de novos membros de maneira mais lenta, segundo especialista

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O ingresso de novos países deve ser a principal pauta a ser discutida na XV Cúpula do Brics, marcada para acontecer entre os dias 22 e 24 de agosto na maior cidade sul-africana, Joanesburgo. O grupo de economias emergentes é formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Segundo o  embaixador sul-africano no bloco, Anil Sooklal, mais de 40 nações manifestaram interesse em fazer parte do Brics.

Entretanto, os membros divergem sobre os critérios a serem seguidos para a admissão de outras nações. A China é a principal interessada na expansão do Brics para ampliar seu campo de influência em meio ao aumento das tensões com o seu principal adversário econômico, os Estados Unidos. Os dois maiores parceiros comerciais do Brasil travam uma guerra comercial há anos. Americanos e chineses disputam o primeiro lugar no ranking de maiores economias globais, hoje liderado pelos EUA.

No início do mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o ingresso de novos participantes no bloco. O mandatário brasileiro afirmou que a entrada da Argentina, Emirados Árabes e Arábia Saudita é “extremamente importante”. Mas o ex-secretário de Comércio Exterior e presidente do Instituto Brasileiro de Comércio Internacional e Investimentos, Welber Barral, explica que o Brasil defende uma ampliação mais lenta. 

“No caso da expansão dos Brics ainda há um debate em vigor. Vários países manifestaram interesse em ingressar nos Brics e o Brasil tem defendido uma expansão lenta, iniciando com talvez Argentina, Arábia Saudita e Emirados Árabes, que são países com os quais o Brasil tem excelente relação e poderia apoiar alguns dos problemas indicados pelo Brasil no âmbito do Brics. Evidentemente, a China e outros querem uma expansão mais rápida até para incluir países que estão sob sua área de influência”, afirma. 

Brics

Segundo o governo federal, o grupo representa mais de 3 bilhões de habitantes, que correspondem a 40% da população mundial; e US$ 25 trilhões em PIB, ou cerca de um quarto do PIB global. Para o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília Thiago Gehre, a participação do Brasil no Brics é muito importante para ampliar o volume de comércio brasileiro e diversificar a fonte de recursos externos para o país.  

“O Brasil esteve, durante muito tempo, preso basicamente à influência do capital ou da Europa ou dos Estados Unidos. E o  advento do Brics dá ao Brasil essa chance de recursos provenientes desses países também possam, de alguma forma, serem aproveitados para a construção da economia brasileira”, afirma Thiago Gehre. 

O senador Irajá (PSD-TO) é presidente da Frente Parlamentar de Relacionamento com o Brics. Ele defende ampliar as relações entre os membros do bloco e acredita que a proximidade do Brasil com Rússia e China via Brics não prejudica o relacionamento com EUA e União Europeia, mesmo com as crescentes tensões entre as potências. O parlamentar destaca os ganhos que o país pode ter na agenda ambiental, por exemplo. 

“São ações complementares e convergentes. O fato de você participar de um bloco como o Brics, de fortalecimento dessas nações, que já são nações amigas, que têm relações comerciais intensas. Isso não é excludente de poder aproximar o Brasil de outros blocos. Eu acho que nós podemos ter ganhos em várias áreas. E nós podemos ampliar isso, na medida em que  tivermos mais projetos de investimentos de grupos desses países, essa posição do Brasil vai ampliar”, afirma o senador.  

Histórico do Brics

Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a coordenação entre Brasil, Rússia, Índia e China (Bric) iniciou–se informalmente em 2006, com reuniões entre os chanceleres em paralelo à Assembleia Geral das Nações Unidas. O bloco passou a ser um mecanismo de cooperação em áreas que tenham o potencial de gerar resultados concretos aos brasileiros e às populações dos demais países membros. Em 2009, na Rússia, foi realizada a primeira cúpula entre os chefes de Estado e de governo dos quatro países.

Somente em 2011 a África do Sul passou a fazer parte do grupo, quando foi acrescentado o S — South Africa — ao acrônimo. Já em 2013 o mais novo membro sediou a V Cúpula, em Durban. Dez anos depois, o país volta a receber os líderes do Brics, com exceção do presidente russo, Vladimir Putin, que deve enviar um representante devido a um mandado de prisão por supostos crimes de guerra emitido pelo Tribunal Penal Internacional. 

Também em 2013, na Cúpula de Durban, foi criado o Conselho Empresarial do Brics (Cebrics), com o objetivo de assegurar que as principais prioridades do setor privado sejam efetivamente comunicadas aos líderes do governo no Brics durante a cúpula, como explica Welber Barral. 

“O conselho empresarial dos Brics é composto por vários empresários relevantes que têm negócios em mais de um dos países dos Brics, então, é um mecanismo de diálogo entre líderes empresariais e os líderes políticos dos países componentes dos Brics”, explica.

No Brasil, a Confederação Nacional da Indústria é a secretária-executiva do Cebrics. De acordo com a CNI, a estrutura do mecanismo é formada por nove grupos de trabalho que contam com mais de 90 representantes brasileiros, que têm como objetivo a formulação de recomendações por temas.

Dez prioridades em discussão pelo setor privado, segundo a CNI: 

  • Estabelecimento de acordo multilateral de serviços aéreos, considerando que os acordos bilaterais que já existem são restritivos para o transporte aéreo;
  • Colaboração para o desenvolvimento de fertilizantes inteligentes, biofertilizantes e fertilizantes minerais, e de padrões para certificação de fertilizantes ecoeficientes;
  • Desenvolvimento de padrões para 50 qualificações futuras, permitindo unificar critérios para competições internacionais e programas de treinamento entre os países;
  • Criação de um fundo para financiar projetos de energia limpa no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB);
  • Cooperação para o desenvolvimento de infraestrutura digital que aumente a conectividade, inclusive em áreas remotas dos países do Brics; 
  • Desenvolvimento de programas de competências digitais para meninas e mulheres;
  • Elaboração de carteira de projetos prioritários de infraestrutura nos países do Brics para aumentar a visibilidade de financiamento; 
  • Desenvolvimento de rotas comerciais com investimentos em portos de pequeno porte, ferrovias e transporte marítimo de curta distância, para diminuir a pegada de carbono; 
  • Criação de plataforma de colaboração entre governo, setor privado e academia para buscar soluções para novos problemas de infraestrutura;
  • Harmonização de padrões de regulação para produtos manufaturados, para facilitar a incorporação nas cadeias de valor.
Foto: Arquivo/EBC

Sebrae

As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde

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Ainda que com a necessidade de tomar cuidados essenciais para evitar novos picos de contágio pela Covid-19, aos poucos, o Brasil começa a retomar as atividades econômicas. Até o momento, de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae, cerca de 83% dos empreendimentos de pequeno porte no país já voltaram a funcionar. Além disso, segundo os últimos dados apresentados pelo IBGE, os serviços apresentaram crescimento de 2,6% em julho. Foi o segundo mês consecutivo de alta no setor.

Diante desse apontamento para reabertura de empresas e, consequentemente, o aumento de circulação de pessoas que saem para consumir, o próprio Sebrae se preocupou em orientar donos de pequenas empresas para uma retomada segura das atividades. Inicialmente, as informações foram fornecidas por meio de releases, por exemplo. A novidade é a disponibilidade das orientações em formato de infográficos.

A ideia é que os empreendedores possam imprimir esses materiais e utilizar no trabalho de instrução de seus funcionários, bem como afixá-los nos seus estabelecimentos. O conteúdo completo é uma série de 35 ilustrações educativas, detalhadas, com orientações para os donos dos estabelecimentos de diversos segmentos, como por exemplo, restaurantes, bares, academias, agências de turismo, entre outras.

Segundo o analista da Unidade de Competitividade do Sebrae, Rafael Moreira, nesse processo de reabertura dos negócios, as atenções se voltam aos protocolos de saúde e higiene, que também estão entre as principais preocupações dos empresários.

“A gente percebe que a situação deve seguir melhorando, dando alívio para o pequeno empresário. Então, é muito importante seguir os protocolos para reduzir o risco de contágio da Covid-19. Eles também devem pedir para seus funcionários e clientes respeitem as recomendações sanitárias. Quem passar mais segurança para o consumidor tende a se sair melhor”, avalia Rafael Moreira.

Instruções de segurança

Os documentos estão disponíveis para download na página do Sebrae, na internet. As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde.

Desburocratização para micro e pequenos negócios pode dar fôlego à economia no pós-pandemia

“A micro e pequena empresa é a teia que sustenta qualquer país”, afirma presidente do Sebrae

Candidatos às eleições municipais têm desafio de fomentar pequenos negócios e retomar economia

Para o advogado Rodrigo Figueiredo, que também é proprietário do Start Bar & Music, localizado em Brasília, esta iniciativa do Sebrae é importante neste momento, principalmente para os empresários que desejam reabrir seus negócios, mas não sabem muito bem que providências sanitárias tomar.

“Eu vejo que essa atitude tomada pelo Sebrae foi, de maneira geral, muito positiva, porque corta um caminho para o empresário que, às vezes, está perdido em relação a como se posicionar dentro da sua própria empresa para proporcionar segurança para os empregados e clientes, além de já entregar todo o procedimento que precisa ser adotado pelo empreendedor no estabelecimento”, opina.

Na avaliação do presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, os protocolos de retomada têm sido muito utilizados no processo de orientação para que as empresas consigam receber novamente os clientes e oferecer os produtos e serviços de forma presencial. “Os documentos são muito relevantes para que o empresário, juntamente com seus colaboradores, fornecedores e clientes consigam, de fato, superar esta fase”, destaca.  
 

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Professora de português e produção de texto, a moradora de Anápolis – GO, Ana Itagiba, de 23 anos, resolveu dar início, este ano, ao processo para se tornar uma micro empreendedora individual (MEI). É em busca de melhores condições como profissional e na esperança de ter mais oportunidades de trabalho que ela espera, com a renovação das cadeiras das prefeituras e até com a reeleição de alguns prefeitos, que os gestores municipais valorizem mais os MEI’s e os empreendimentos de pequeno porte.

“Toda vez que formos votar, temos que observar o histórico da pessoa em que estamos votando. Os eleitores devem procurar candidatos que estejam preocupados em garantir mais direitos para essa população. As pequenas empresas são importantes para a economia dos municípios, inclusive, porque essa tem sido a tendência de transformação econômica”, opina a professora.

Para atender aos anseios de pessoas como Ana Itagiba e dos micro e pequenos empreendedores do o País, o Sebrae lançou o chamado “Guia do Candidato Empreendedor”. O documento disponibiliza dicas que orientam os gestores públicos municipais na realização de iniciativas que promovam a evolução das pequenas empresas, sobretudo acerca do desenvolvimento sustentável.

Intitulado “Seja um candidato Empreendedor - 10 dicas do Sebrae”, o guia visa apoiar o empreendedorismo. Para isso, o intuito é revelar os potenciais, as belezas e riquezas do País a partir dos municípios, gerar renda, emprego e ainda elevar a arrecadação sem aumentar impostos. Em uma das dicas, os gestores são instruídos a promover inovação e sustentabilidade.

A partir desse ponto, busca-se, por exemplo, garantir internet de qualidade nas escolas, prédios públicos e praças; estimular os empreendedores locais na adoção de fontes de energia sustentável e reciclagem de resíduos, e fomentar a implantação do Código Florestal, a preservação de mananciais e do meio ambiente no meio rural e urbano.

Acesso a créditos e digitalização

Nesse sentido, outro destaque desenvolvido pela instituição é o Guia do Prefeito, que apresenta uma ferramenta importante de trabalho para as lideranças comprometidas com o desenvolvimento sustentável nos seus municípios. Um dos pontos mais relevantes deste compilado de instruções propõe, inclusive, facilitar o acesso ao crédito e aos serviços financeiros.

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Segundo o presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, este último item é indispensável para que os pequenos empreendimentos consigam sobreviver durante crises como a que o Brasil enfrenta atualmente. Além disso, Melles também destaca a importância da informatização dos negócios.

“Nós estamos colocando a essência da educação empreendedora à disposição dos brasileiros. Sobretudo, dizemos o seguinte: retomem, mas retomem digital. Nós estamos firmando parcerias com grandes plataformas de marketplace, dando à micro e pequena empresa a possibilidade de abrir novos canais de comercialização, inclusive de garantias de financiamento”, afirma Carlos Melles.

De acordo com a pesquisa “Transformação Digital nas MPE”, realizada pelo Sebrae entre abril e junho deste ano, nos últimos três anos os pequenos negócios no Brasil apostaram na informatização e na utilização de novas ferramentas digitais, em especial nas redes sociais.

Atualmente, 72% do segmento utiliza o WhatsApp para se comunicar com clientes e 40% possui perfil no Facebook. Em Santa Catarina, por exemplo, 89% dos empresários ouvidos no levantamento afirmaram acessar a internet frequentemente. Além disso, 35% dos empresários catarinenses disseram que suas empresas possuem página na internet.

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