Foto: Wirestock/Freepik
Foto: Wirestock/Freepik

Economia circular e bioeconomia são apostas para a descarbonização

Novos modelos de desenvolvimento são abordagens promissoras para país atingir o objetivo de reduzir as emissões de CO²

SalvarSalvar imagemTextoTexto para rádio

A descarbonização da economia é uma das missões do Plano de Retomada da Indústria, proposto pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e entregue ao governo brasileiro. O documento elencou quatro missões para a retomada do crescimento do país: descarbonização, transformação digital, saúde e segurança sanitária e defesa e segurança nacional.

Diante da importância de descarbonizar a economia, novos modelos de desenvolvimento baseados na integração entre os sistemas econômicos e ecológicos estão surgindo. A economia circular (EC) e a bioeconomia se apresentam como abordagens promissoras.

Economia circular

A economia circular substitui a economia linear que prevalece hoje em dia. O sistema linear de produção se caracteriza pela extração de recursos naturais, processamento, venda e comercialização dos produtos e, consequentemente, o descarte depois que não são mais úteis.

De acordo com o coordenador do curso de Engenharia de Produção do Cesuca Centro Universitário, Eduardo Batista, a economia circular se contrapõe à economia linear, que tem baixa sustentabilidade em termos ambientais.

“Se a gente pensar na economia linear, ela tem uma estação natural, tem um descarte. A economia circular, como o próprio nome diz, fecha sobre si mesma em que o descarte feito pelas empresas de produtos que não são mais usados, ou mesmo de resíduos gerados no processo, são utilizados dentro da própria economia como recursos para outras empresas. Então não é simplesmente o descarte correto dos resíduos, vai além disso: é uma economia que utiliza o descarte como os seus próprios recursos”, explica.

A economia circular desempenha um papel importante na descarbonização industrial, como explica o professor Eduardo Batista.

“Na economia circular, nós temos uma reincorporação na cadeia produtiva de materiais que já foram transformados, talvez eles tenham que sofrer alguma operação, mas isso vai significar menos utilização da energia para a reincorporação na linha de produção da empresa que está usando os recursos. Ou seja, ele está colocando dentro do teu circuito de produção, algo que já foi transformado, isso vai requerer menos estação de recursos e menos consumo de energia para a consumação desse recurso.”

A doutora em engenharia de produção pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Patrícia Guarnieri , que fez pós-doutorado em economia circular na Universidade de Bolonha, na Itália, destaca algumas soluções circulares que podem ser implementadas pela indústria.

“A alteração da matriz energética, redução do 'food waste' [desperdício de alimento]. Então você consegue fazer com que esse alimento que seria desperdiçado volte na forma de ração, na forma de outros subprodutos e deixam de ir para os aterros sanitários. O uso de tecnologias mais limpas, que reduzam o desperdício em todas as etapas do processo. A redução do desmatamento, empresas que não praticam ou que não compram matéria-prima proveniente de desmatamento e no sentido da melhoria da infraestrutura de transporte, a gente vê vários operadores logísticos colocando uma frota mais moderna que usa combustíveis sustentáveis, como o biocombustível, etanol e o biogás", aponta.

Bioeconomia

A mudança da visão econômica linear baseada em combustíveis fósseis para uma economia circular evidencia o impacto negativo da ação humana no meio ambiente. Para reduzir esse impacto em todas as cadeias de valor, os recursos renováveis e o consumo de biomassa se tornam cada vez mais necessários.

Nesse sentido, a bioeconomia é definida como “o uso de insumos biológicos no processo produtivo, principalmente nos setores agrícola e industrial. Esse processo utiliza recursos renováveis que não geram resíduos na economia”, explica o economista e especialista em bioeconomia Guide Nunes.

Segundo o especialista, o principal objetivo da bioeconomia é disseminar o uso de produtos de base biológica, a fim de substituir insumos tradicionais por itens cuja produção respeite os ecossistemas.

“O papel da bioeconomia é incentivar o uso da energia renovável, inclusive a partir de insumos biológicos, como microalgas. Na parte de energia renovável, o Brasil já tem um bom acúmulo, tem a questão do etanol, temos uma composição de energia muito limpa que é a energia hidrelétrica, energia fotovoltaica, energia eólica, então o Brasil tem uma biodiversidade muito rica, que é um ativo. É um bem não só de vida e natural, é um bem também econômico, que pode gerar muito valor para a sociedade, se a sociedade brasileira souber utilizar”, afirma.

DIA DA INDÚSTRIA: Plano de Retomada propõe quatro missões para impulsionar o setor

Investimento em defesa é fundamental para soberania do Brasil, dizem especialistas

Transformação digital nas empresas gera mais produtividade e competitividade

Brasil precisa de investimentos públicos e privados na área da saúde, diz especialista

Foto: Arquivo/EBC

Sebrae

As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde

Baixar áudio

Ainda que com a necessidade de tomar cuidados essenciais para evitar novos picos de contágio pela Covid-19, aos poucos, o Brasil começa a retomar as atividades econômicas. Até o momento, de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae, cerca de 83% dos empreendimentos de pequeno porte no país já voltaram a funcionar. Além disso, segundo os últimos dados apresentados pelo IBGE, os serviços apresentaram crescimento de 2,6% em julho. Foi o segundo mês consecutivo de alta no setor.

Diante desse apontamento para reabertura de empresas e, consequentemente, o aumento de circulação de pessoas que saem para consumir, o próprio Sebrae se preocupou em orientar donos de pequenas empresas para uma retomada segura das atividades. Inicialmente, as informações foram fornecidas por meio de releases, por exemplo. A novidade é a disponibilidade das orientações em formato de infográficos.

A ideia é que os empreendedores possam imprimir esses materiais e utilizar no trabalho de instrução de seus funcionários, bem como afixá-los nos seus estabelecimentos. O conteúdo completo é uma série de 35 ilustrações educativas, detalhadas, com orientações para os donos dos estabelecimentos de diversos segmentos, como por exemplo, restaurantes, bares, academias, agências de turismo, entre outras.

Segundo o analista da Unidade de Competitividade do Sebrae, Rafael Moreira, nesse processo de reabertura dos negócios, as atenções se voltam aos protocolos de saúde e higiene, que também estão entre as principais preocupações dos empresários.

“A gente percebe que a situação deve seguir melhorando, dando alívio para o pequeno empresário. Então, é muito importante seguir os protocolos para reduzir o risco de contágio da Covid-19. Eles também devem pedir para seus funcionários e clientes respeitem as recomendações sanitárias. Quem passar mais segurança para o consumidor tende a se sair melhor”, avalia Rafael Moreira.

Instruções de segurança

Os documentos estão disponíveis para download na página do Sebrae, na internet. As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde.

Desburocratização para micro e pequenos negócios pode dar fôlego à economia no pós-pandemia

“A micro e pequena empresa é a teia que sustenta qualquer país”, afirma presidente do Sebrae

Candidatos às eleições municipais têm desafio de fomentar pequenos negócios e retomar economia

Para o advogado Rodrigo Figueiredo, que também é proprietário do Start Bar & Music, localizado em Brasília, esta iniciativa do Sebrae é importante neste momento, principalmente para os empresários que desejam reabrir seus negócios, mas não sabem muito bem que providências sanitárias tomar.

“Eu vejo que essa atitude tomada pelo Sebrae foi, de maneira geral, muito positiva, porque corta um caminho para o empresário que, às vezes, está perdido em relação a como se posicionar dentro da sua própria empresa para proporcionar segurança para os empregados e clientes, além de já entregar todo o procedimento que precisa ser adotado pelo empreendedor no estabelecimento”, opina.

Na avaliação do presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, os protocolos de retomada têm sido muito utilizados no processo de orientação para que as empresas consigam receber novamente os clientes e oferecer os produtos e serviços de forma presencial. “Os documentos são muito relevantes para que o empresário, juntamente com seus colaboradores, fornecedores e clientes consigam, de fato, superar esta fase”, destaca.  
 

Copiar textoCopiar o texto
Baixar áudio

Professora de português e produção de texto, a moradora de Anápolis – GO, Ana Itagiba, de 23 anos, resolveu dar início, este ano, ao processo para se tornar uma micro empreendedora individual (MEI). É em busca de melhores condições como profissional e na esperança de ter mais oportunidades de trabalho que ela espera, com a renovação das cadeiras das prefeituras e até com a reeleição de alguns prefeitos, que os gestores municipais valorizem mais os MEI’s e os empreendimentos de pequeno porte.

“Toda vez que formos votar, temos que observar o histórico da pessoa em que estamos votando. Os eleitores devem procurar candidatos que estejam preocupados em garantir mais direitos para essa população. As pequenas empresas são importantes para a economia dos municípios, inclusive, porque essa tem sido a tendência de transformação econômica”, opina a professora.

Para atender aos anseios de pessoas como Ana Itagiba e dos micro e pequenos empreendedores do o País, o Sebrae lançou o chamado “Guia do Candidato Empreendedor”. O documento disponibiliza dicas que orientam os gestores públicos municipais na realização de iniciativas que promovam a evolução das pequenas empresas, sobretudo acerca do desenvolvimento sustentável.

Intitulado “Seja um candidato Empreendedor - 10 dicas do Sebrae”, o guia visa apoiar o empreendedorismo. Para isso, o intuito é revelar os potenciais, as belezas e riquezas do País a partir dos municípios, gerar renda, emprego e ainda elevar a arrecadação sem aumentar impostos. Em uma das dicas, os gestores são instruídos a promover inovação e sustentabilidade.

A partir desse ponto, busca-se, por exemplo, garantir internet de qualidade nas escolas, prédios públicos e praças; estimular os empreendedores locais na adoção de fontes de energia sustentável e reciclagem de resíduos, e fomentar a implantação do Código Florestal, a preservação de mananciais e do meio ambiente no meio rural e urbano.

Acesso a créditos e digitalização

Nesse sentido, outro destaque desenvolvido pela instituição é o Guia do Prefeito, que apresenta uma ferramenta importante de trabalho para as lideranças comprometidas com o desenvolvimento sustentável nos seus municípios. Um dos pontos mais relevantes deste compilado de instruções propõe, inclusive, facilitar o acesso ao crédito e aos serviços financeiros.

Desburocratização para micro e pequenos negócios pode dar fôlego à economia no pós-pandemia

“A micro e pequena empresa é a teia que sustenta qualquer país”, afirma presidente do Sebrae

Candidatos às eleições municipais têm desafio de fomentar pequenos negócios e retomar economia

Segundo o presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, este último item é indispensável para que os pequenos empreendimentos consigam sobreviver durante crises como a que o Brasil enfrenta atualmente. Além disso, Melles também destaca a importância da informatização dos negócios.

“Nós estamos colocando a essência da educação empreendedora à disposição dos brasileiros. Sobretudo, dizemos o seguinte: retomem, mas retomem digital. Nós estamos firmando parcerias com grandes plataformas de marketplace, dando à micro e pequena empresa a possibilidade de abrir novos canais de comercialização, inclusive de garantias de financiamento”, afirma Carlos Melles.

De acordo com a pesquisa “Transformação Digital nas MPE”, realizada pelo Sebrae entre abril e junho deste ano, nos últimos três anos os pequenos negócios no Brasil apostaram na informatização e na utilização de novas ferramentas digitais, em especial nas redes sociais.

Atualmente, 72% do segmento utiliza o WhatsApp para se comunicar com clientes e 40% possui perfil no Facebook. Em Santa Catarina, por exemplo, 89% dos empresários ouvidos no levantamento afirmaram acessar a internet frequentemente. Além disso, 35% dos empresários catarinenses disseram que suas empresas possuem página na internet.

Copiar textoCopiar o texto

Receba nossos conteúdos em primeira mão.