Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Insegurança alimentar aumentou durante a pandemia

Pesquisa do UNICEF com Ibope Inteligência mostra gravidade da situação de muitos brasileiros; de julho para novembro, o percentual de entrevistados que declararam que deixaram de comer subiu de 6% para 13%

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Durante a pandemia do coronavírus, a situação de insegurança alimentar se agravou no Brasil. Segundo a pesquisa “Impactos Primários e Secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes”, elaborada em duas rodadas pelo UNICEF e pelo Ibope Inteligência, a porcentagem de respondentes que declararam que deixaram de comer aumentou significativamente. Em julho de 2020, 6% dos entrevistados afirmaram que, desde o início da pandemia, deixaram de fazer uma refeição porque a comida acabou e não havia dinheiro para comprar mais, o correspondente a nove milhões de brasileiros. Já em novembro, este número aumentou para 13% dos respondentes, representando 20,7 milhões de brasileiros. Desses, cerca de 5,5 milhões eram de lares com crianças e adolescentes.

“Esse aumento da insegurança alimentar está relacionado à combinação de recessão e estagnação econômica, deterioração do mercado de trabalho e o retrocesso nas políticas sociais no Brasil que ocorre desde 2015. Importante ressaltar que essa insegurança alimentar está relacionada também às questões de raça e gênero. Domicílios chefiados por mulheres ou por pessoas pretas e pardas são os que mais apresentam insegurança alimentar”, alerta Kelly Alves, nutricionista e membro do Núcleo Rio de Janeiro da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável.

Para ela, a Covid-19 apenas evidenciou uma realidade já vivida há tempos por muitos brasileiros. “A pandemia do novo coronavírus trouxe à tona a desigualdade social já existente no País e tem contribuído para piorar ainda mais as condições de vida das pessoas mais vulneráveis, entre elas os moradores das periferias das grandes cidades, como as favelas cariocas.”

Moradora do bairro Estácio, no Rio, Vanessa da Silva Lonziero Coelho, 41 anos, relata um pouco dessa insegurança vivida especialmente durante a pandemia. Atualmente desempregada e mãe de filhos gêmeos de três anos de idade, Vanessa conta que a alimentação não chegou a ser muito alterada em relação ao que era antes disso, mas que muitas vezes teve dificuldade em alimentar a família. 

“Normalmente, almoçamos e à noite fazemos um lanche. As crianças às vezes jantam e outras lancham. E nós ingerimos alimentos industrializados. Às vezes por comodidade, outras vezes por necessidade, por falta de tempo mesmo. Como meus filhos são gêmeos, a gente acaba tendo pouco tempo ou eles ficam muito agitados, aí optamos por comidas mais rápidas”, confessa. 

Esse é outro dado importante da pesquisa do UNICEF e do Ibope Inteligência. De acordo com o estudo, houve um aumento no consumo de alimentos industrializados durante a pandemia, variando de 23% em julho para 29% em novembro do ano passado. E esse aumento ficou ainda mais evidente em lares com crianças e adolescentes – 36%. 

“Essa mudança no hábito alimentar a gente já vinha percebendo, ela não é de agora. É uma mudança que, infelizmente, faz parte de uma epidemia global de aumento de peso e da obesidade por conta da alteração no consumo de alimentos. As pessoas estão migrando cada vez mais para alimentos ultraprocessados, com muito sal, gordura, açúcar, aditivos e pouquíssimo nutriente”, lamenta a chefe de Saúde do UNICEF no Brasil, Cristina Albuquerque. 

Hábitos alimentares de crianças e adolescentes foram alterados na pandemia, segundo pesquisa

Pandemia: mais de 20,7 milhões de brasileiros deixaram de comer por falta de dinheiro

Alimentação nos primeiros anos de vida é decisiva para a formação de hábitos alimentares, crescimento e desenvolvimento da criança

Na casa da Vanessa, o consumo de alimentos industrializados em substituição aos   alimentos naturais também é motivado pelo preço. “Temos acesso a feira, porém os alimentos naturais muitas vezes são mais caros. Antes, você fazia feira com R$ 50 e hoje com esse valor você não leva nada”, opina a dona de casa.  “Não tivemos problema para comer e pagar nossas contas devido à ajuda de familiares. Mas continuamos passando dificuldades, precisando de ajuda financeira”, completa Vanessa. 

Stephanie Amaral, nutricionista e oficial de Saúde do UNICEF no Brasil, explica esse fenômeno. “São alimentos cheio de aditivos, que viciam o nosso paladar e que são considerados gostosos. Tem todos esses fatores que são principalmente voltados para crianças e adolescentes.”

E ela alerta para outro fator. “As escolhas alimentares hoje não são livres de influência. Não é uma escolha somente daquele indivíduo. Elas são influenciadas pelo meio em que a gente vive e a indústria atua muito fortemente no marketing para crianças. Estamos em um mundo que chama o tempo inteiro para o consumo dealimentos industrializados”, pontua.

Orientações

No início da pandemia, a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, do RJ, disponibilizou uma cartilha com objetivo de divulgar informações sobre alimentação adequada e saudável e apoiar as pessoas a fazerem melhores escolhas durante a pandemia. Kelly Alves, membro da Aliança, afirma que, antes da cartilha, algumas informações que chegavam aos moradores do Rio, especialmente os que moram em favelas e bairros mais pobres, estavam fora da realidade. 

“Percebemos é que muitas orientações tinham uma abordagem com foco principalmente nos nutrientes dos alimentos, apresentando determinados alimentos fontes de certas vitaminas e minerais como se tivessem papel milagroso frente à doença. Essas orientações tinham também uma abordagem desconectada da crescente situação de insegurança alimentar e nutricional de grande parte da população brasileira, ou seja, pessoas que não possuem a garantia do acesso físico e financeiro aos alimentos adequados e saudáveis”, diz. 

No processo de elaboração da cartilha, a Aliança contou com a colaboração de membros que residem no complexo do Cantagalo/Pavão-Pavãozinho, Zona Sul do Rio. “Eles nos alertaram de que as orientações deveriam atender aos diferentes perfis de moradores das favelas: tanto aqueles que não tinham o acesso físico ou financeiro aos alimentos quanto os que ainda possuíam condições de comprar seus alimentos”, lembra. 

A linguagem do documento, segundo Kelly, é simples e objetiva e ajuda na escolha e no preparo dos alimentos. “Acrescentamos orientações sanitárias necessárias para prevenção da contaminação pelo coronavírus e dicas sobre as compras dos alimentos, visando contribuir para a melhor gestão do orçamento familiar. Afinal, o dinheiro está mais curto para muita gente. É preciso planejar melhor as compras para garantir o abastecimento de alimentos para a família.”

Foto: Arquivo/EBC

Sebrae

As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde

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Ainda que com a necessidade de tomar cuidados essenciais para evitar novos picos de contágio pela Covid-19, aos poucos, o Brasil começa a retomar as atividades econômicas. Até o momento, de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae, cerca de 83% dos empreendimentos de pequeno porte no país já voltaram a funcionar. Além disso, segundo os últimos dados apresentados pelo IBGE, os serviços apresentaram crescimento de 2,6% em julho. Foi o segundo mês consecutivo de alta no setor.

Diante desse apontamento para reabertura de empresas e, consequentemente, o aumento de circulação de pessoas que saem para consumir, o próprio Sebrae se preocupou em orientar donos de pequenas empresas para uma retomada segura das atividades. Inicialmente, as informações foram fornecidas por meio de releases, por exemplo. A novidade é a disponibilidade das orientações em formato de infográficos.

A ideia é que os empreendedores possam imprimir esses materiais e utilizar no trabalho de instrução de seus funcionários, bem como afixá-los nos seus estabelecimentos. O conteúdo completo é uma série de 35 ilustrações educativas, detalhadas, com orientações para os donos dos estabelecimentos de diversos segmentos, como por exemplo, restaurantes, bares, academias, agências de turismo, entre outras.

Segundo o analista da Unidade de Competitividade do Sebrae, Rafael Moreira, nesse processo de reabertura dos negócios, as atenções se voltam aos protocolos de saúde e higiene, que também estão entre as principais preocupações dos empresários.

“A gente percebe que a situação deve seguir melhorando, dando alívio para o pequeno empresário. Então, é muito importante seguir os protocolos para reduzir o risco de contágio da Covid-19. Eles também devem pedir para seus funcionários e clientes respeitem as recomendações sanitárias. Quem passar mais segurança para o consumidor tende a se sair melhor”, avalia Rafael Moreira.

Instruções de segurança

Os documentos estão disponíveis para download na página do Sebrae, na internet. As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde.

Desburocratização para micro e pequenos negócios pode dar fôlego à economia no pós-pandemia

“A micro e pequena empresa é a teia que sustenta qualquer país”, afirma presidente do Sebrae

Candidatos às eleições municipais têm desafio de fomentar pequenos negócios e retomar economia

Para o advogado Rodrigo Figueiredo, que também é proprietário do Start Bar & Music, localizado em Brasília, esta iniciativa do Sebrae é importante neste momento, principalmente para os empresários que desejam reabrir seus negócios, mas não sabem muito bem que providências sanitárias tomar.

“Eu vejo que essa atitude tomada pelo Sebrae foi, de maneira geral, muito positiva, porque corta um caminho para o empresário que, às vezes, está perdido em relação a como se posicionar dentro da sua própria empresa para proporcionar segurança para os empregados e clientes, além de já entregar todo o procedimento que precisa ser adotado pelo empreendedor no estabelecimento”, opina.

Na avaliação do presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, os protocolos de retomada têm sido muito utilizados no processo de orientação para que as empresas consigam receber novamente os clientes e oferecer os produtos e serviços de forma presencial. “Os documentos são muito relevantes para que o empresário, juntamente com seus colaboradores, fornecedores e clientes consigam, de fato, superar esta fase”, destaca.  
 

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Professora de português e produção de texto, a moradora de Anápolis – GO, Ana Itagiba, de 23 anos, resolveu dar início, este ano, ao processo para se tornar uma micro empreendedora individual (MEI). É em busca de melhores condições como profissional e na esperança de ter mais oportunidades de trabalho que ela espera, com a renovação das cadeiras das prefeituras e até com a reeleição de alguns prefeitos, que os gestores municipais valorizem mais os MEI’s e os empreendimentos de pequeno porte.

“Toda vez que formos votar, temos que observar o histórico da pessoa em que estamos votando. Os eleitores devem procurar candidatos que estejam preocupados em garantir mais direitos para essa população. As pequenas empresas são importantes para a economia dos municípios, inclusive, porque essa tem sido a tendência de transformação econômica”, opina a professora.

Para atender aos anseios de pessoas como Ana Itagiba e dos micro e pequenos empreendedores do o País, o Sebrae lançou o chamado “Guia do Candidato Empreendedor”. O documento disponibiliza dicas que orientam os gestores públicos municipais na realização de iniciativas que promovam a evolução das pequenas empresas, sobretudo acerca do desenvolvimento sustentável.

Intitulado “Seja um candidato Empreendedor - 10 dicas do Sebrae”, o guia visa apoiar o empreendedorismo. Para isso, o intuito é revelar os potenciais, as belezas e riquezas do País a partir dos municípios, gerar renda, emprego e ainda elevar a arrecadação sem aumentar impostos. Em uma das dicas, os gestores são instruídos a promover inovação e sustentabilidade.

A partir desse ponto, busca-se, por exemplo, garantir internet de qualidade nas escolas, prédios públicos e praças; estimular os empreendedores locais na adoção de fontes de energia sustentável e reciclagem de resíduos, e fomentar a implantação do Código Florestal, a preservação de mananciais e do meio ambiente no meio rural e urbano.

Acesso a créditos e digitalização

Nesse sentido, outro destaque desenvolvido pela instituição é o Guia do Prefeito, que apresenta uma ferramenta importante de trabalho para as lideranças comprometidas com o desenvolvimento sustentável nos seus municípios. Um dos pontos mais relevantes deste compilado de instruções propõe, inclusive, facilitar o acesso ao crédito e aos serviços financeiros.

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Segundo o presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, este último item é indispensável para que os pequenos empreendimentos consigam sobreviver durante crises como a que o Brasil enfrenta atualmente. Além disso, Melles também destaca a importância da informatização dos negócios.

“Nós estamos colocando a essência da educação empreendedora à disposição dos brasileiros. Sobretudo, dizemos o seguinte: retomem, mas retomem digital. Nós estamos firmando parcerias com grandes plataformas de marketplace, dando à micro e pequena empresa a possibilidade de abrir novos canais de comercialização, inclusive de garantias de financiamento”, afirma Carlos Melles.

De acordo com a pesquisa “Transformação Digital nas MPE”, realizada pelo Sebrae entre abril e junho deste ano, nos últimos três anos os pequenos negócios no Brasil apostaram na informatização e na utilização de novas ferramentas digitais, em especial nas redes sociais.

Atualmente, 72% do segmento utiliza o WhatsApp para se comunicar com clientes e 40% possui perfil no Facebook. Em Santa Catarina, por exemplo, 89% dos empresários ouvidos no levantamento afirmaram acessar a internet frequentemente. Além disso, 35% dos empresários catarinenses disseram que suas empresas possuem página na internet.

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