Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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IPCA de julho é indicativo de que inflação pode começar a recuar, apontam especialistas

De acordo com o IBGE, o IPCA de julho foi o menor registrado desde o início da série histórica, que começou em janeiro de 1980. Boletim Focus projeta que inflação oficial vai fechar o ano na casa dos 7%

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A queda de 0,68% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) em julho, segundo o IBGE, indica que a inflação pode começar a ceder, como previsto por analistas do mercado financeiro. O IPCA dos últimos 12 meses continua acima dos dois dígitos (10,07%), mas a tendência, segundo especialistas ouvidos pelo Brasil 61, é de que o indicador vai fechar o ano em torno dos 7%. 

Nas últimas seis edições do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, o mercado melhorou as projeções para a inflação. Há quatro semanas, o IPCA esperado era de 7,67%. A estimativa mais recente, publicada na última segunda-feira (8), foi de 7,11%. 

Segundo Rodrigo Leite, professor de Finanças e Controle Gerencial do Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a deflação de julho é um sinal de que a inflação deve recuar nos próximos meses. “Espera-se que a inflação este ano feche em algo entre 7% e 9%, diferente do ano passado, em que tínhamos inflação de dois dígitos”, avalia. 

De acordo com o IBGE, o IPCA de julho foi o menor registrado desde o início da série histórica, que começou em janeiro de 1980. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, dois registraram deflação em julho: transportes (-4,51%) e habitação (-1,05%). O preço dos combustíveis, que ajuda a formar o primeiro, por exemplo, caiu 14,15% em julho. Destaque para a gasolina que, individualmente, foi o subitem que compõe o IPCA que mais contribuiu para a deflação. 

O professor de Finanças Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV) Pierre Souza explica que o resultado se deve a duas intervenções feitas com o objetivo de controlar a inflação. “Principalmente na questão de tributos sobre combustíveis em geral, que fizeram com que a gente tivesse um recuo na inflação. Em paralelo a isso, tivemos uma série de aumentos da taxa de juros pelo Banco Central, que são exatamente para segurar a inflação”, pontua. 

No fim de junho, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei Complementar 194, de 2022, que limita em 17% ou 18% as alíquotas de ICMS que os estados podem cobrar sobre combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo. 

O professor Rodrigo Leite lembra que além da diminuição do ICMS sobre os combustíveis, a Petrobras diminuiu o preço de revenda da gasolina e do álcool para as refinarias e que tudo isso puxou a inflação para baixo em julho. 

Movimento semelhante ocorreu com a energia elétrica, um dos componentes do grupo de habitação. A energia elétrica residencial recuou 5,78%. Além disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou as revisões tarifárias extraordinárias de dez distribuidoras, o que contribui para a queda. 

A deflação, no entanto, não pôde ser tão percebida nas prateleiras do supermercado. Itens como leite longa vida, queijo, manteiga e frutas ficaram mais caros. A inflação dos alimentos e bebidas avançou 1,3%. Rodrigo explica o que impediu a queda no preço dos alimentos. 

“Quando você tem uma maior renda e a oferta estagnada, as pessoas vão competir pela mesma quantidade de produtos e o preço acaba subindo. Produtos com  a chamada ‘demanda inelástica’, que as pessoas vão comprar não importa o valor, vai ter uma tendência de crescimento rápido, que é o que estamos vendo com os alimentos, que mesmo com queda no valor dos combustíveis, acabaram subindo um pouco”, diz. 

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Foto: Arquivo/EBC

Sebrae

As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde

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Ainda que com a necessidade de tomar cuidados essenciais para evitar novos picos de contágio pela Covid-19, aos poucos, o Brasil começa a retomar as atividades econômicas. Até o momento, de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae, cerca de 83% dos empreendimentos de pequeno porte no país já voltaram a funcionar. Além disso, segundo os últimos dados apresentados pelo IBGE, os serviços apresentaram crescimento de 2,6% em julho. Foi o segundo mês consecutivo de alta no setor.

Diante desse apontamento para reabertura de empresas e, consequentemente, o aumento de circulação de pessoas que saem para consumir, o próprio Sebrae se preocupou em orientar donos de pequenas empresas para uma retomada segura das atividades. Inicialmente, as informações foram fornecidas por meio de releases, por exemplo. A novidade é a disponibilidade das orientações em formato de infográficos.

A ideia é que os empreendedores possam imprimir esses materiais e utilizar no trabalho de instrução de seus funcionários, bem como afixá-los nos seus estabelecimentos. O conteúdo completo é uma série de 35 ilustrações educativas, detalhadas, com orientações para os donos dos estabelecimentos de diversos segmentos, como por exemplo, restaurantes, bares, academias, agências de turismo, entre outras.

Segundo o analista da Unidade de Competitividade do Sebrae, Rafael Moreira, nesse processo de reabertura dos negócios, as atenções se voltam aos protocolos de saúde e higiene, que também estão entre as principais preocupações dos empresários.

“A gente percebe que a situação deve seguir melhorando, dando alívio para o pequeno empresário. Então, é muito importante seguir os protocolos para reduzir o risco de contágio da Covid-19. Eles também devem pedir para seus funcionários e clientes respeitem as recomendações sanitárias. Quem passar mais segurança para o consumidor tende a se sair melhor”, avalia Rafael Moreira.

Instruções de segurança

Os documentos estão disponíveis para download na página do Sebrae, na internet. As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde.

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Para o advogado Rodrigo Figueiredo, que também é proprietário do Start Bar & Music, localizado em Brasília, esta iniciativa do Sebrae é importante neste momento, principalmente para os empresários que desejam reabrir seus negócios, mas não sabem muito bem que providências sanitárias tomar.

“Eu vejo que essa atitude tomada pelo Sebrae foi, de maneira geral, muito positiva, porque corta um caminho para o empresário que, às vezes, está perdido em relação a como se posicionar dentro da sua própria empresa para proporcionar segurança para os empregados e clientes, além de já entregar todo o procedimento que precisa ser adotado pelo empreendedor no estabelecimento”, opina.

Na avaliação do presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, os protocolos de retomada têm sido muito utilizados no processo de orientação para que as empresas consigam receber novamente os clientes e oferecer os produtos e serviços de forma presencial. “Os documentos são muito relevantes para que o empresário, juntamente com seus colaboradores, fornecedores e clientes consigam, de fato, superar esta fase”, destaca.  
 

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Professora de português e produção de texto, a moradora de Anápolis – GO, Ana Itagiba, de 23 anos, resolveu dar início, este ano, ao processo para se tornar uma micro empreendedora individual (MEI). É em busca de melhores condições como profissional e na esperança de ter mais oportunidades de trabalho que ela espera, com a renovação das cadeiras das prefeituras e até com a reeleição de alguns prefeitos, que os gestores municipais valorizem mais os MEI’s e os empreendimentos de pequeno porte.

“Toda vez que formos votar, temos que observar o histórico da pessoa em que estamos votando. Os eleitores devem procurar candidatos que estejam preocupados em garantir mais direitos para essa população. As pequenas empresas são importantes para a economia dos municípios, inclusive, porque essa tem sido a tendência de transformação econômica”, opina a professora.

Para atender aos anseios de pessoas como Ana Itagiba e dos micro e pequenos empreendedores do o País, o Sebrae lançou o chamado “Guia do Candidato Empreendedor”. O documento disponibiliza dicas que orientam os gestores públicos municipais na realização de iniciativas que promovam a evolução das pequenas empresas, sobretudo acerca do desenvolvimento sustentável.

Intitulado “Seja um candidato Empreendedor - 10 dicas do Sebrae”, o guia visa apoiar o empreendedorismo. Para isso, o intuito é revelar os potenciais, as belezas e riquezas do País a partir dos municípios, gerar renda, emprego e ainda elevar a arrecadação sem aumentar impostos. Em uma das dicas, os gestores são instruídos a promover inovação e sustentabilidade.

A partir desse ponto, busca-se, por exemplo, garantir internet de qualidade nas escolas, prédios públicos e praças; estimular os empreendedores locais na adoção de fontes de energia sustentável e reciclagem de resíduos, e fomentar a implantação do Código Florestal, a preservação de mananciais e do meio ambiente no meio rural e urbano.

Acesso a créditos e digitalização

Nesse sentido, outro destaque desenvolvido pela instituição é o Guia do Prefeito, que apresenta uma ferramenta importante de trabalho para as lideranças comprometidas com o desenvolvimento sustentável nos seus municípios. Um dos pontos mais relevantes deste compilado de instruções propõe, inclusive, facilitar o acesso ao crédito e aos serviços financeiros.

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Segundo o presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, este último item é indispensável para que os pequenos empreendimentos consigam sobreviver durante crises como a que o Brasil enfrenta atualmente. Além disso, Melles também destaca a importância da informatização dos negócios.

“Nós estamos colocando a essência da educação empreendedora à disposição dos brasileiros. Sobretudo, dizemos o seguinte: retomem, mas retomem digital. Nós estamos firmando parcerias com grandes plataformas de marketplace, dando à micro e pequena empresa a possibilidade de abrir novos canais de comercialização, inclusive de garantias de financiamento”, afirma Carlos Melles.

De acordo com a pesquisa “Transformação Digital nas MPE”, realizada pelo Sebrae entre abril e junho deste ano, nos últimos três anos os pequenos negócios no Brasil apostaram na informatização e na utilização de novas ferramentas digitais, em especial nas redes sociais.

Atualmente, 72% do segmento utiliza o WhatsApp para se comunicar com clientes e 40% possui perfil no Facebook. Em Santa Catarina, por exemplo, 89% dos empresários ouvidos no levantamento afirmaram acessar a internet frequentemente. Além disso, 35% dos empresários catarinenses disseram que suas empresas possuem página na internet.

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