Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

“Quem não inova fica para trás", diz diretor executivo da Abimaq ao destacar importância de novas tecnologias na indústria

Em entrevista exclusiva ao portal Brasil61.com, João Alfredo Delgado diz que o setor tem boa empregabilidade, mas Brasil precisa investir mais em capacitação profissional

SalvarSalvar imagemTextoTexto para rádio

A indústria é um dos setores que mais emprega no Brasil. De acordo com a Sondagem Industrial, pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de evolução do número de empregados foi de 51,2 pontos em julho. Pela metodologia da pesquisa, valores acima de 50 indicam aumento no emprego frente ao mês anterior. No entanto, o Brasil precisa investir no aperfeiçoamento e na qualificação de pelo menos 9,6 milhões de trabalhadores em ocupações industriais nos próximos três anos.

Em entrevista ao portal Brasil 61.com, o diretor executivo de Inovação de Tecnologia da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Alfredo Delgado, falou sobre a importância de se investir em novas tecnologias, e também sobre a necessidade de qualificar trabalhadores para o mercado de trabalho. 

Confira a entrevista

Brasil 61: A indústria é um dos setores que mais emprega no Brasil. No mês de junho, por exemplo, houve um saldo de admissões de 41.517 contratações. Como o país tem investido na capacitação de profissionais para atender às demandas do setor? Além disso, o que o senhor acha do senso comum de que a chegada de novas tecnologias representaria queda na empregabilidade?

João Alfredo Delgado, diretor executivo de Inovação de Tecnologia da Abimaq: “É uma falácia dizer que as novas tecnologias representam uma queda na empregabilidade. Em um primeiro momento, até pode ser. Isso sempre aconteceu no mundo. Quando saímos de um contexto agrícola e entramos na revolução industrial, por exemplo, houve uma quebra de paradigma. O problema da empregabilidade é um problema de tempo. O tempo da transformação digital é muito rápido, mas as pessoas levam um tempo para se formar e para aprender. Por conta dessa celeridade, às vezes não temos no mercado profissionais como se deseja. Então, acredito que precisamos de uma reforma no ensino de forma que eu consiga fazer matérias isoladas. Por exemplo, em vez de ter um engenheiro que saiba tudo, é melhor fazer com que ele adicione algumas matérias que eu precise. Então vou treiná-lo em big data, em sensores ou integração de sistemas. O Brasil tem investido? Bom, ele fez a reforma do ensino médio, mas a grande reforma não foi feita. Temos que dar um conhecimento amplo, mas estamos dando peso igual para tudo e isso tem que ser reformulado.”

Brasil 61: Na sua avaliação, qual a importância do investimento em inovação para a indústria? Nesse sentido, você acredita que a transformação digital e a Indústria 4.0 podem contribuir para a evolução do setor, sobretudo quanto à produtividade?

João Alfredo Delgado, diretor executivo de Inovação de Tecnologia da Abimaq: “Quem não inova fica para trás. Todo mundo busca o que o consumidor quer, ou seja, produtos melhores a preços menores. Então, se você não inova, fica para trás e para de vender. Nesse sentido, a inovação é fundamental, é a raiz da sobrevivência de qualquer setor. Mas, para a indústria, é fundamental. A transformação digital é imprescindível, porque hoje estamos em um mundo conectado e isso dá um salto muito grande na produtividade, porque você consegue resolver vários problemas que antes não poderiam ser resolvidos, pois não se tinha a tecnologia adequada. Na transformação digital, você consegue fazer coisas que antes não eram possíveis, como recolher dados de forma on-line e, ao mesmo tempo, monitorar à distância e fazer manutenções preditivas. Mas, tudo isso só faz sentido se eu melhorar a produtividade.”

Brasil 61: A indústria tem uma lista com o que considera como as profissões do futuro. Diante disso, a preparação para esse quadro precisa vir simultaneamente com a chegada do profissional ao mercado de trabalho?

João Alfredo Delgado, diretor executivo de Inovação de Tecnologia da Abimaq: “Eu acho que tem que fazer junto. Ontem você não precisava de analista de dados do jeito que se precisa hoje. Anteriormente você precisava de analista de integração de sistemas, mas não no volume que se precisa hoje. Todos os setores têm que contribuir com isso. Como? Eu posso colocar um treinamento direcionado dentro da minha empresa, levando em conta as minhas necessidades.”

Brasil 61: A Resolução no 6/2021 do Conselho Nacional de Política Energética determinou ao Ministério de Minas e Energia que, em cooperação com outras pastas, como o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações, elabore proposta de diretrizes para o Programa Nacional do Hidrogênio. O que a Abimaq pensa sobre esse tema, principalmente sobre o chamado hidrogênio sustentável? E sobre todo o processo que abrange a ideia de descarbonização?

João Alfredo Delgado, diretor executivo de Inovação de Tecnologia da Abimaq: “Energia é um tema fundamental para o mundo. Nesse aspecto, o Brasil está, evidentemente, melhor do que outro país, porque temos energia sustentável aqui. Temos mais oportunidade porque temos vento, água do mar e também temos condições de exportar hidrogênio para o mundo. Eu posso fazer hidrogênio a partir do etanol. Eu já tenho biomassa. Então, todas essas questões das energias renováveis vão ser fundamentais na questão da descarbonização. Isso é importante porque o Brasil é um dos maiores produtores de hidrogênio verde do mundo.”
 

Foto: Arquivo/EBC

Sebrae

As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde

Baixar áudio

Ainda que com a necessidade de tomar cuidados essenciais para evitar novos picos de contágio pela Covid-19, aos poucos, o Brasil começa a retomar as atividades econômicas. Até o momento, de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae, cerca de 83% dos empreendimentos de pequeno porte no país já voltaram a funcionar. Além disso, segundo os últimos dados apresentados pelo IBGE, os serviços apresentaram crescimento de 2,6% em julho. Foi o segundo mês consecutivo de alta no setor.

Diante desse apontamento para reabertura de empresas e, consequentemente, o aumento de circulação de pessoas que saem para consumir, o próprio Sebrae se preocupou em orientar donos de pequenas empresas para uma retomada segura das atividades. Inicialmente, as informações foram fornecidas por meio de releases, por exemplo. A novidade é a disponibilidade das orientações em formato de infográficos.

A ideia é que os empreendedores possam imprimir esses materiais e utilizar no trabalho de instrução de seus funcionários, bem como afixá-los nos seus estabelecimentos. O conteúdo completo é uma série de 35 ilustrações educativas, detalhadas, com orientações para os donos dos estabelecimentos de diversos segmentos, como por exemplo, restaurantes, bares, academias, agências de turismo, entre outras.

Segundo o analista da Unidade de Competitividade do Sebrae, Rafael Moreira, nesse processo de reabertura dos negócios, as atenções se voltam aos protocolos de saúde e higiene, que também estão entre as principais preocupações dos empresários.

“A gente percebe que a situação deve seguir melhorando, dando alívio para o pequeno empresário. Então, é muito importante seguir os protocolos para reduzir o risco de contágio da Covid-19. Eles também devem pedir para seus funcionários e clientes respeitem as recomendações sanitárias. Quem passar mais segurança para o consumidor tende a se sair melhor”, avalia Rafael Moreira.

Instruções de segurança

Os documentos estão disponíveis para download na página do Sebrae, na internet. As peças são formadas por um compilado de instruções de segurança elaboradas a partir de informações de entidades setoriais e de especialistas em saúde.

Desburocratização para micro e pequenos negócios pode dar fôlego à economia no pós-pandemia

“A micro e pequena empresa é a teia que sustenta qualquer país”, afirma presidente do Sebrae

Candidatos às eleições municipais têm desafio de fomentar pequenos negócios e retomar economia

Para o advogado Rodrigo Figueiredo, que também é proprietário do Start Bar & Music, localizado em Brasília, esta iniciativa do Sebrae é importante neste momento, principalmente para os empresários que desejam reabrir seus negócios, mas não sabem muito bem que providências sanitárias tomar.

“Eu vejo que essa atitude tomada pelo Sebrae foi, de maneira geral, muito positiva, porque corta um caminho para o empresário que, às vezes, está perdido em relação a como se posicionar dentro da sua própria empresa para proporcionar segurança para os empregados e clientes, além de já entregar todo o procedimento que precisa ser adotado pelo empreendedor no estabelecimento”, opina.

Na avaliação do presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, os protocolos de retomada têm sido muito utilizados no processo de orientação para que as empresas consigam receber novamente os clientes e oferecer os produtos e serviços de forma presencial. “Os documentos são muito relevantes para que o empresário, juntamente com seus colaboradores, fornecedores e clientes consigam, de fato, superar esta fase”, destaca.  
 

Copiar textoCopiar o texto
Baixar áudio

Professora de português e produção de texto, a moradora de Anápolis – GO, Ana Itagiba, de 23 anos, resolveu dar início, este ano, ao processo para se tornar uma micro empreendedora individual (MEI). É em busca de melhores condições como profissional e na esperança de ter mais oportunidades de trabalho que ela espera, com a renovação das cadeiras das prefeituras e até com a reeleição de alguns prefeitos, que os gestores municipais valorizem mais os MEI’s e os empreendimentos de pequeno porte.

“Toda vez que formos votar, temos que observar o histórico da pessoa em que estamos votando. Os eleitores devem procurar candidatos que estejam preocupados em garantir mais direitos para essa população. As pequenas empresas são importantes para a economia dos municípios, inclusive, porque essa tem sido a tendência de transformação econômica”, opina a professora.

Para atender aos anseios de pessoas como Ana Itagiba e dos micro e pequenos empreendedores do o País, o Sebrae lançou o chamado “Guia do Candidato Empreendedor”. O documento disponibiliza dicas que orientam os gestores públicos municipais na realização de iniciativas que promovam a evolução das pequenas empresas, sobretudo acerca do desenvolvimento sustentável.

Intitulado “Seja um candidato Empreendedor - 10 dicas do Sebrae”, o guia visa apoiar o empreendedorismo. Para isso, o intuito é revelar os potenciais, as belezas e riquezas do País a partir dos municípios, gerar renda, emprego e ainda elevar a arrecadação sem aumentar impostos. Em uma das dicas, os gestores são instruídos a promover inovação e sustentabilidade.

A partir desse ponto, busca-se, por exemplo, garantir internet de qualidade nas escolas, prédios públicos e praças; estimular os empreendedores locais na adoção de fontes de energia sustentável e reciclagem de resíduos, e fomentar a implantação do Código Florestal, a preservação de mananciais e do meio ambiente no meio rural e urbano.

Acesso a créditos e digitalização

Nesse sentido, outro destaque desenvolvido pela instituição é o Guia do Prefeito, que apresenta uma ferramenta importante de trabalho para as lideranças comprometidas com o desenvolvimento sustentável nos seus municípios. Um dos pontos mais relevantes deste compilado de instruções propõe, inclusive, facilitar o acesso ao crédito e aos serviços financeiros.

Desburocratização para micro e pequenos negócios pode dar fôlego à economia no pós-pandemia

“A micro e pequena empresa é a teia que sustenta qualquer país”, afirma presidente do Sebrae

Candidatos às eleições municipais têm desafio de fomentar pequenos negócios e retomar economia

Segundo o presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles, este último item é indispensável para que os pequenos empreendimentos consigam sobreviver durante crises como a que o Brasil enfrenta atualmente. Além disso, Melles também destaca a importância da informatização dos negócios.

“Nós estamos colocando a essência da educação empreendedora à disposição dos brasileiros. Sobretudo, dizemos o seguinte: retomem, mas retomem digital. Nós estamos firmando parcerias com grandes plataformas de marketplace, dando à micro e pequena empresa a possibilidade de abrir novos canais de comercialização, inclusive de garantias de financiamento”, afirma Carlos Melles.

De acordo com a pesquisa “Transformação Digital nas MPE”, realizada pelo Sebrae entre abril e junho deste ano, nos últimos três anos os pequenos negócios no Brasil apostaram na informatização e na utilização de novas ferramentas digitais, em especial nas redes sociais.

Atualmente, 72% do segmento utiliza o WhatsApp para se comunicar com clientes e 40% possui perfil no Facebook. Em Santa Catarina, por exemplo, 89% dos empresários ouvidos no levantamento afirmaram acessar a internet frequentemente. Além disso, 35% dos empresários catarinenses disseram que suas empresas possuem página na internet.

Copiar textoCopiar o texto

Receba nossos conteúdos em primeira mão.