VoltarApesar de o Ministério da Saúde ter anunciado a pausa temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante do Instituto Butantan (Butantan-DV), outras vacinas contra a doença continuam disponíveis nas redes pública e privada de saúde, com eficácia e segurança comprovadas.
Uma delas é a Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda. O imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2023 e é aplicado em duas doses. A vacina é indicada para pessoas de quatro a 60 anos, independentemente de terem tido dengue anteriormente. No Sistema Único de Saúde (SUS), no entanto, a aplicação está restrita a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Cerca de 8 milhões de doses da Qdenga já foram aplicadas no Brasil, com impactos visíveis no controle da doença. Mas, apesar de o Ministério da Saúde ter adquirido todas as doses disponibilizadas pelo fabricante, a capacidade de produção da vacina ainda é insuficiente para atender à demanda nacional.
Outro imunizante disponível é a Dengvaxia, da farmacêutica francesa Sanofi. Primeira vacina contra a dengue aprovada pela Anvisa, em dezembro de 2015, ela é indicada para pessoas de nove a 45 anos que já tiveram a doença. Disponível apenas na rede privada, o imunizante é aplicado em três doses e exige comprovação de infecção prévia pelo vírus.
Na última segunda-feira (8), o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da estratégia de vacinação com a Butantan-DV. A decisão foi tomada em consenso com a Anvisa, após o registro de 42 casos com sinais de alerta. Desses, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos.
Entre os sintomas, foram observados dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, manifestações que não haviam sido identificadas nos estudos clínicos, nem estavam descritas na bula do imunizante.
Esses eventos correspondem a 0,008% de um total de 501 mil doses aplicadas até 30 de maio de 2026. Segundo o ministério, ainda não há conclusão sobre uma possível correlação entre os casos e a vacina, e as investigações continuam.
Enquanto isso, estados e municípios devem manter em estoque as doses da vacina contra a dengue do Instituto Butantan até nova orientação. A recomendação foi reforçada pelo diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti.
"A orientação é que os municípios coloquem o imunobiológico em reserva dentro da sua rede de frio, ou seja, nós não vamos distribuir mais vacinas de dengue [Butantan-DV] por hora. Os estados e municípios que tiverem essa vacina no seu estoque devem segurar até segunda ordem", explicou Gatti, em entrevista à Rádio Nacional.
O diretor ressaltou que a vacina Qdenga não apresentou qualquer sinal de alerta e segue sendo aplicada normalmente nos postos da rede pública de saúde.
A estratégia de vacinação com a Butantan-DV teve início em janeiro deste ano e era direcionada aos profissionais da Atenção Primária à Saúde e, de forma ampliada, à população de 15 a 49 anos de Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e da região de Araguaína (TO). Segundo o Ministério da Saúde, os casos graves não ocorreram nas localidades onde a imunização foi ampliada para a população em geral.
A pasta ressalta que os eventos adversos investigados não invalidam a eficácia do imunizante. Nos estudos clínicos, a Butantan-DV apresentou eficácia geral de 65% e de 80,5% na prevenção de casos graves.
De acordo com o Ministério da Saúde, quem já recebeu a Butantan-DV continua protegido contra os quatro sorotipos da dengue. A suspensão temporária da estratégia não altera a eficácia do imunizante. Assim como qualquer medicamento, vacinas podem estar associadas a eventos raros e inesperados.
Segundo a pasta, mais de 90% dos vacinados não apresentaram efeitos colaterais. Entre os eventos mais frequentes, a maioria foi classificada como leve ou moderada, com desaparecimento espontâneo em poucos dias.
Segundo a bula, os efeitos adversos esperados em parte dos vacinados são:
Muito raramente foram detectados casos semelhantes à dengue com febre.
A orientação é monitorar o estado de saúde por até 21 dias após a aplicação da dose. Em caso de febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, é recomendado procurar atendimento médico imediatamente.
Após esse período, não há mais componente ativo da vacina detectável no organismo.
Até 30 de maio deste ano (Semana Epidemiológica 21), o Brasil registrou queda de 94% nos casos prováveis de dengue e de 97% no número de mortes em comparação com o mesmo período de 2024, segundo levantamento do Ministério da Saúde.
Apesar da melhora dos indicadores, a dengue continua sendo a maior endemia do país. A pasta reforça que a vacinação permanece como uma ferramenta fundamental no enfrentamento da doença e pode contribuir para resultados ainda mais expressivos nos próximos anos.
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Baixar áudioNão existe medicamento para a dengue, apenas remédios que amenizam os sintomas e o desconforto causado pela doença. Portanto, quando surgirem os primeiros sintomas, a orientação é procurar uma unidade de saúde e os cuidados médicos.
A diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Alda Maria da Cruz, alerta sobre o que os pacientes não devem fazer em caso de suspeita de dengue.
“Tome nenhum remédio. Cuidado com as soluções milagrosas e com as fake news sobre produtos indicados contra a doença. Os medicamentos à base de ácido acetilsalicílico aumentam a possibilidade de sangramento — que é um dos riscos da dengue. Os infectados também devem evitar os anti-inflamatórios. Para a febre, o paciente pode tomar antitérmicos, mas deve olhar antes se eles não têm esses componentes.”
A dengue é autolimitada, ou seja, que tem um tempo de manifestação. Mas a doença pode se agravar de forma rápida, caso não tenha a assistência correta. Por isso, em caso de suspeita, procure o quanto antes uma unidade de saúde e se mantenha sempre hidratado.
Não se esqueça: são apenas 10 minutos por semana para proteger sua família e vizinhos da dengue.
Combate ao mosquito. Para fazer diferente, precisamos agir antes.
Ministério da Saúde. Brasil, União e Reconstrução. Governo Federal.
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Baixar áudioA seca que atinge várias regiões do Brasil começa a afetar também o estado do Amapá. No Arquipélago do Bailique, moradores relatam dificuldades com a navegação, a produção agrícola e a pesca, atividades essenciais para a subsistência local. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, assegurou que o Governo Federal está atento às demandas da população amapaense, assim como às de outras regiões do país.
"O presidente Lula nos orienta a prestar total apoio ao Bailique e a todas as áreas afetadas por enchentes ou estiagens. No ano passado, o Amapá enfrentou uma seca severa, e o Governo Federal atuou diretamente. Eu mesmo estive no Bailique e em vários municípios do estado. Aprovamos um plano de trabalho de R$ 11 milhões, elaborado pelo governo estadual, para fornecer água e alimentos ao arquipélago", destacou o ministro.
Góes também lembrou do apoio prestado aos pescadores amapaenses, que receberam auxílio emergencial além da antecipação do seguro-defeso. "O Governo Federal continuará oferecendo suporte ao Amapá. Acredito que o governador Clécio Luís ainda não decretou a situação de emergência estadual porque está finalizando o levantamento de dados com a equipe de coordenação. Assim que o decreto chegar ao Ministério, faremos o reconhecimento de forma sumária. O Amapá pode contar com o apoio constante do Governo Federal, especialmente diante da previsão de agravamento da seca até dezembro. Vocês não estarão sozinhos", garantiu.
O Arquipélago do Bailique, composto por oito ilhas a 160 quilômetros de Macapá, é acessível apenas por via fluvial, pelo Rio Amazonas. Entre as ilhas que formam o arquipélago estão Bailique, Brigue, Curuá, Faustino, Franco, Igarapé do Meio, Marinheiro e Parazinho, onde vivem mais de sete mil pessoas, distribuídas em cerca de 40 comunidades.
Ex-governador do Amapá por quatro mandatos e ex-presidente do Consórcio Amazônia Legal, Waldez Góes ressaltou que o estado é o último da região a ser impactado pela seca. "A estiagem na Amazônia Legal não ocorre simultaneamente em todos os estados. Começa em janeiro e fevereiro em Roraima, segue para o Acre, Amazonas e depois para o baixo Amazonas, chegando ao Pará e, por fim, ao Amapá. O governador do Pará, Hélder Barbalho, inclusive, já me informou que está decretando situação de emergência no Pará. O Amapá é o último a sentir os efeitos da estiagem na região", concluiu o ministro.
Fonte: MIDR
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Baixar áudioO Brasil já registrou 6.509.794 casos prováveis de dengue em 2024. O dado é da mais recente atualização do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde. De janeiro até agora, foram contabilizadas 5.267 mortes pela doença e outras 1.988 estão em investigação. No momento, o coeficiente de incidência de dengue no país é de 3.205,8 casos para cada 100 mil habitantes.
Segundo o monitoramento da pasta, 55% dos casos foram identificados entre as mulheres. A faixa etária mais acometida pela dengue é entre 20 e 29 anos, seguida por 30 a 39 anos e 40 a 49 anos. Bebês com menos de 1 ano, idosos com 80 anos ou mais e crianças de 1 a 4 anos são os menos atingidos pela doença.
Entre os estados, São Paulo lidera com o maior número de casos graves e sinais de alarme, com 24.934 casos de janeiro até agora. Na sequência estão Minas Gerais, com 15.128; Paraná, com 13.546, e Distrito Federal, com 10.249. Roraima (3), Acre (11) e Rondônia (33) são os estados com menos casos graves ou sinais de alarme.
O infectologista Antônio Carlos Bandeira reforça as medidas preventivas contra a dengue.
“As principais medidas de prevenção podem ser divididas em duas partes, a primeira individual e a segunda coletiva. Na parte individual, é fundamental usar repelentes, tais como aqueles à base de icaridina ou DEET, principalmente as gestantes precisam usar repelentes do primeiro ao último dia da gestação para que não tenham possibilidade de se contaminarem com o vírus da zika, que é altamente teratogênico. A outra situação para prevenção é você utilizar roupas mais compridas, telas, em regiões onde você pode dormir com telas, e ar-condicionado.”
Na parte coletiva, é fundamental eliminar os focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti — transmissor da dengue e outras doenças como zika, chikungunya e febre amarela — não deixando água parada.
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Baixar áudioDizem que prevenir ainda é melhor que remediar. No caso da dengue, a prevenção é a única saída e, este ano, os cuidados começaram mais cedo. Um novo plano de combate à doença está previsto para ser lançado este mês pelo Ministério da Saúde e vai envolver controle dos vetores e uso de inovações tecnológicas.
A ação veio depois que autoridades do Ministério da Saúde anunciaram, em maio, que em função das mudanças climáticas, a próxima epidemia de dengue poderia vir ainda mais cedo — o que poderia acontecer já em novembro deste ano. Pensando nisso, a pasta se antecipou. A estratégia prevê o controle do mosquito e o uso de mosquitos modificados geneticamente para bloquear a transmissão da doença, conhecido como método Wolbachia.
Em nota, o Ministério da Saúde informa que o Plano de Resposta às Arboviroses tem o objetivo de implementar novas tecnologias de controle vetorial nos municípios brasileiros, de maneira escalonada, considerando o perfil epidemiológico e a população sob risco, preparar a rede de atenção à saúde para atender os casos durante epidemias e garantir o abastecimento de insumos para diagnóstico, assistência e controle vetorial.
Para o sanitarista e professor da Universidade de Brasília, Jonas Brant, esse é o momento correto de agir. “Por que os ovos do mosquito permanecem no ambiente quando seca, ele fica esperando a chegada das chuvas. Quanto antes começarem as atividades no período seco, eu garanto que quando começar a chover eu tenha menos recipientes naquele ambiente, assim, é possível atrasar o crescimento da população de mosquitos e também o aumento do número de casos.”
Uma das estratégias previstas pelo Ministério é o chamado Método Wolbachia — que consiste em introduzir a bactéria Wolbachia nos mosquitos. O microorganismo bloqueia a transmissão do vírus para o ser humano e altera o ciclo reprodutivo do Aedes Aegypti.
Como a dengue precisa de um intermediário — o mosquito — para se propagar, a identificação dos locais onde ainda há transmissão do vírus nesta época do ano é fundamental para o controle da doença, explica o sanitarista.
“Nessas regiões, é preciso gastar um esforço muito maior nesta época do ano para evitar o início de uma epidemia” , reforça Brant. A antecipação das ações permite que, com a chegada das chuvas, já esteja montada uma organização efetiva para conter o início da transmissão e o controle do número de casos.
Em entrevista do Estadão, a ministra da Saúde Nísia Trindade disse que a vacinação não é o principal ponto deste novo plano..
“A vacina é uma estratégia que vamos continuar a utilizar, mas não é a principal estratégia para 2025. Pode ser que venha a ser em 2026, a depender do desenvolvimento da vacina do Butantan. E podendo aumentar (a aquisição de doses) da Takeda, certamente aumentaremos.”
O imunizante contra a dengue começou a ser aplicado num público restrito este ano — jovens de 6 a 16 anos. Mas em função da baixa disponibilidade das doses oferecida pelo fabricante, o alcance não pôde ser maior. Este ano o governo federal comprou 6,5 milhões de doses e outros 9 milhões devem ser usados em 2025.
A produção nacional pelo Instituto Butantan é vista com otimismo, mas o processo ainda deve demorar, avalia a ministra. “Eu diria que nossa aposta maior, mas falo isso com cuidado, porque ainda nem foi submetida à Anvisa, é a vacina do Butantan, que de fato mostrou excelente resultado em estudos clínicos. Vamos trabalhar com o Butantan esse cronograma.”
Em 2024, o Brasil viveu a pior epidemia de dengue da história. Foram 6,5 milhões de casos prováveis da doença, segundo o Ministério da Saúde e mais de 5,2 mil mortes — a maior parte delas entre fevereiro e abril — no período de aumento das chuvas.
Na 35ª semana epidemiológica, o número caiu para 3.938 casos prováveis da doença. Mas nem por isso dá para descuidar. Mesmo com o número de casos em baixa, a nutricionista Nathalia Mariath, moradora do Distrito Federal, conta que está sempre atenta para evitar infecções.
“Vem um rapaz de mês em mês aqui em casa fazer uma vistoria para ver se tem vasinho com água, verifica se a piscina está limpa e coberta. Além da fiscalização, essa equipe ainda dá orientações” explica a moradora do bairro Taquari, na zona norte do DF.
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Baixar áudioO Brasil já registrou 254.170 casos prováveis de chikungunya em 2024. O dado é do Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde. Até a última atualização, em 28 de agosto, foram registrados 162 óbitos pela doença e 153 ainda estão em investigação. O coeficiente de incidência da chikungunya é de 125,2 casos para cada 100 mil habitantes.
A maioria das notificações foi registrada entre as mulheres (60%). Em relação à faixa etária, os grupos entre 20 e 29 anos, 40 a 49 anos, 30 a 39 anos e 50 a 59 anos foram os mais afetados pela doença.
Entre os estados, Minas Gerais concentra a maior parte dos casos prováveis de chikungunya (159.844), seguido por Bahia (15.508), Espírito Santo (13.058) e São Paulo (10.667). Já entre as unidades federativas com menos registros da doença estão Roraima (36), Amazonas (102), Rondônia (224), Acre (264) e Amapá (322).
A chikungunya é uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aedypti, mesmo transmissor da dengue, zika e febre amarela. Por isso, a principal forma de se proteger da doença é combater o mosquito, não deixando água parada.
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Baixar áudioO Brasil está prestes a alcançar a marca de 5 mil mortes por dengue em 2024, com 4.961 óbitos confirmados até o momento, segundo dados do Painel de Monitoramento de Arboviroses. Além disso, há 2.161 mortes ainda em investigação. O número total de casos prováveis de dengue no país ao longo do ano é alarmante, somando 6.437.241, o que resulta em uma taxa de letalidade de 0,08. O coeficiente de incidência atual é de 3.170,1 casos para cada 100 mil habitantes.
São Paulo lidera em números absolutos de casos de dengue, com 2.062.418 registros em 2024, seguido por Minas Gerais com 1.696.518 casos, Paraná com 643.700 e Santa Catarina com 363.117. No entanto, ao considerar o coeficiente de incidência, o Distrito Federal apresenta a maior taxa, com 9.739,1 casos por 100 mil habitantes, seguido por Minas Gerais (8.260,1), Paraná (5.625,2) e Santa Catarina (4.771,8). Esses dados ressaltam a necessidade de estratégias direcionadas para as regiões mais afetadas e reforçam a importância das medidas de prevenção e controle em todo o país.
O infectologista e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia Antônio Carlos analisa o cenário atual de casos no Brasil:
“O cenário atual é explicado pelo avanço do vetor, que é o Aedes aegypti, que passou a infestar grandes áreas da região sudeste e da região sul do Brasil, inclusive indo para o Paraguai e parte da Argentina. Então, o Aedes aegypti, que não estava muito presente nas regiões mais frias do Brasil, passou realmente a ir para essas regiões. Possivelmente, uma das explicações é o aumento da temperatura, o aquecimento dessas áreas, que acabou facilitando a adaptação do Aedes aegypti nessas regiões.”
A maior parte dos casos no país foi registrada entre adultos de 20 a 29 anos, seguidos pelas faixas etárias de 30 a 39, 40 a 49 e 50 a 59 anos. Por outro lado, os grupos menos afetados incluem crianças com menos de 1 ano, idosos com 80 anos ou mais e crianças de 1 a 4 anos.
Júlia Mesquita, de 19 anos, moradora de Vicente Pires no Distrito Federal foi uma das pessoas afetadas pela doença neste ano e descreve a experiência:
"O que foi mais difícil enquanto eu estava doente, eu acho que foi o fato de ficar muito dependente. Eu não conseguia fazer absolutamente nada sozinha, só conseguia ficar deitada na cama. Não conseguia comer, porque fica um gosto muito ruim na boca. Foi uma das piores partes pra mim. Então, beber água, comer, fica tudo muito difícil. E é o que você mais precisa fazer, né, pra poder melhorar da dengue. Então, eu acho que o mais difícil foi essa parte da alimentação, a fraqueza e o fato de ficar dependente de todo mundo.” afirma.
Antônio Carlos Bandeira, infectologista, explica os meios de prevenção.
“As principais medidas de prevenção podem ser divididas em duas partes, a primeira individual e a segunda coletiva. Na parte individual, é fundamental usar repelentes, tais como aqueles à base de icaridina ou DEET, principalmente as gestantes precisam usar repelentes do primeiro ao último dia da gestação para que não tenham possibilidade de se contaminarem com o vírus da zika, que é altamente teratogênico. A outra situação para prevenção é você utilizar a parte de roupas mais compridas, telas, em regiões onde você pode dormir com telas, e ar-condicionado.”
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Baixar áudioO governo de Minas Gerais decretou o fim da situação de emergência em saúde pública no estado provocada pela dengue. O status havia sido declarado pelas autoridades públicas estaduais no início do ano, diante da explosão de casos da doença. O objetivo era facilitar o acesso a recursos federais e agilizar ações de combate à arbovirose.
Desde janeiro, o estado acumula mais de 1,6 milhão de casos de dengue, o maior número absoluto entre todas as unidades federativas. Foram confirmadas 753 mortes pela arbovirose até o momento. Outros 735 óbitos estão sob investigação.
Minas Gerais também possui o segundo maior coeficiente de incidência da dengue do país: cerca de 8.059 casos para cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas no Distrito Federal, onde a taxa é de 9.628 por 100 mil habitantes.
De acordo com o Painel de Monitoramento de Arboviroses, as mulheres respondem por 55,8% dos casos confirmados. Jovens entre 20 e 29 anos constituem a faixa etária com mais ocorrências registradas.
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Baixar áudioÉ comum que pacientes infectados por dengue sintam dores no corpo, febre alta e tenham manchas na pele. Esses sintomas duram em torno de 5 a 7 dias. Porém, mesmo após a cura, alguns sintomas podem persistir, como a fadiga extrema, dores musculares e articulares, além de manchas na pele.
Estou com dengue, o que fazer?
O infectologista Julival Ribeiro aponta que as pessoas diagnosticadas com dengue grave, chamada de dengue hemorrágica, podem continuar com sintomas e ter sequelas, como insuficiência cardíaca e miocardite – uma inflamação do tecido muscular do coração. Julival menciona, ainda, que podem haver sequelas cerebrais.
“A depender do quadro clínico da dengue, se foi grave, podem surgir manifestações neurológicas, por exemplo, perda de memória, se a pessoa teve uma inflamação no cérebro, e irritabilidade. Tudo isso pode acontecer a longo prazo com a dengue”, destaca o infectologista.
Caso o paciente apresente sintomas semanas após a cura, deve procurar assistência médica. “Nas pessoas que tiveram dengue grave, é que essas alterações podem durar por longo tempo, ou mesmo tornar-se um problema crônico. Portanto, quem teve dengue, apresenta sintomas depois de várias semanas ou meses, deve procurar um serviço de saúde para esclarecer”, indica Julival.
As alterações de saúde afetam, em especial, pacientes que tiveram dengue hemorrágica. O especialista em doenças tropicais do hospital Anchieta e infectologista, Manuel Palácios, explica como a dengue clássica evolui para a hemorrágica.
“A dengue pode evoluir para dengue hemorrágica, ou dengue grave, quando há um aumento da permeabilidade vascular, levando a vazamento de plasma, sangramentos graves e falência de órgãos. A fase crítica, onde o paciente está mais vulnerável, pode durar de 24 a 48 horas”, pontua.
Segundo Manuel Palácios, os sintomas da progressão da doença costumam aparecer entre o 3º e o 7º dia e coincidem com a queda da febre. Os sintomas são:
A médica intensivista do Hospital Santa Marta, localizado em Taguatinga Sul no Distrito Federal, Adele Vasconcelos, explica que a dengue causa desidratação interna por perda de líquido, o que faz com que o sangue engrosse e as plaquetas caiam – fatores que aumentam o risco de hemorragia. “A evolução da dengue para a hemorrágica depende de organismo para organismo. A gente só considera uma dengue como hemorrágica se o paciente tiver algum tipo de sangramento, seja ocular, no nariz, na boca, na urina, nas fezes, às vezes até na cabeça, um AVC”, salienta a médica.
Em relação às sequelas da dengue grave, órgãos como coração, rins, fígado e cérebro podem ser afetados. A professora do Gama, no Distrito Federal, Gláucia Ferreira Matos, 45 anos, teve a doença em março deste ano. Ela relata que, além da dengue ter afetado a imunidade dela, tem investigado problemas nos rins e fígado.
“A dengue atingiu gravemente o meu fígado, consequentemente o meu rim também e, agora, eu venho fazendo acompanhamento, exames de sangue, hemograma, alguns exames mais específicos para acompanhar, porque eu venho sentindo sintomas que eu nunca tive na vida antes de ter dengue”, conta a professora.
Têm maior risco de desenvolver dengue hemorrágica crianças, idosos, gestantes, portadores de doenças imunossupressoras (HIV/Aids, doenças autoimunes, neoplasias), além de pessoas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão e indivíduos previamente infectados com um sorotipo diferente do vírus da dengue.
O Ministério da Saúde pontua que, em 2024, o avanço histórico da doença no país fez 10 estados e o Distrito Federal decretarem situação de emergência.
Veja alguns dados sobre atendimentos por dengue na rede pública do país:
Em um levantamento realizado pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp), de 3 a 13 de maio de 2024, 96% dos hospitais paulistas registraram aumento de internações de pacientes por dengue e síndrome respiratória aguda grave (SRAG).
Segundo o informe da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil lidera o número de diagnósticos e mortes por dengue em 2024, com 82% dos casos registrados no mundo, sendo 6,3 milhões de casos prováveis e 3 milhões confirmados em laboratório.
Com uma vistoria de 10 minutos semanais em casa, os moradores podem acabar com os possíveis criadouros do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, segundo o Ministério da Saúde. Confira alguns cuidados:
Para mais informações sobre a dengue e formas de prevenção, acesse: www.gov.br/mosquito.
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Baixar áudioO Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, reconheceu, nesta segunda-feira (27), a situação de emergência em sete cidades do Paraná que registraram aumento no número de casos de dengue.
Estão na lista as cidades de Cândido de Abreu, Jacarezinho, Manoel Ribas, Matelândia, São Pedro do Iguaçu, Tapira e Umuarama.
Confira o link da portaria abaixo:
Com a medida, os municípios estão aptos a solicitar recursos do Governo Federal para executar ações de defesa civil, como compra de cestas básicas e de água potável.
Como solicitar recursos
Cidades com o reconhecimento federal de situação de emergência ou de estado de calamidade pública podem solicitar ao MIDR recursos para ações de defesa civil. A solicitação pelos municípios em situação de emergência deve ser feita por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). Com base nas informações enviadas nos planos de trabalho, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e os valores solicitados. Com a aprovação, é publicada portaria no DOU com o valor a ser liberado.
Capacitações da Defesa Civil Nacional
A Defesa Civil Nacional oferece uma série de cursos a distância para habilitar e qualificar agentes municipais e estaduais para o uso do S2iD. As capacitações têm como foco os agentes de proteção e defesa civil nas três esferas de governo. Confira neste link a lista completa dos cursos.
Fonte: MIDR
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